Os funcionários públicos em Portugal "não ganham muito", mas são "muitos", disse ontem o economista e professor na Universidade Católica João César das Neves.
"Temos problemas financeiros e económicos. Os financeiros estão a ser muito bem tratados - os orçamentos, os cortes, os [aumentos nos] impostos, essa brincadeira toda, estamos a fazê-lo e a fazê-lo bem", disse César das Neves à imprensa, à margem da conferência "O Papel da UE entre os EUA e os BRICS", organizado pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
Do lado económico, contudo, César das Neves diz que os governos anteriores nunca chegaram à segunda parte da consolidação orçamental, que consiste em "reduzir mesmo a máquina do Estado, alterar os serviços" públicos.
"Os funcionários públicos não ganham muito, são é muitos. Baixar-lhes os salários não resolve o problema. É pôr uma cinta, não reduz a gordura, não faz dieta, limita-se a apertar a gordura", continua o professor da Católica.
César das Neves adverte que a redução no número de funcionários "tem de ser feita com cuidado", mas acrescenta que o número de trabalhadores no sector público é "esmagador".
"Segundo números da OCDE, éramos o país do mundo com mais funcionários do Ministério da Agricultura por hectare cultivado, e não é por isso que a agricultura portuguesa está bem", disse.
César das Neves acrescentou ter esperança em que o país consiga sair da crise, porque a economia portuguesa é "muito flexível" e já começou a ajustar-se.
"O sector privado está a ajustar-se rapidamente, já anda a ajustar-se há três ou quatro anos. O sector público andou a fingir que não era preciso, e só agora com a 'troika' é que começou a ajustar", afirmou César das Neves.
O pior é que o galo ainda não cantou....


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