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Arguido da 'Face Oculta' faz revelações

Namércio Cunha admite informação privilegiada

02/02/2012 01:12
Fonte: Lusa
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O arguido no processo ´Face Oculta´ Namércio Cunha confirmou ontem que o empresário das sucatas Manuel Godinho, principal arguido no processo, teria acesso a informação privilegiada nos negócios com empresas públicas, tal como refere a acusação.

Namércio Cunha, que começou o seu depoimento no tribunal de Aveiro na terça-feira ao final da tarde, tem estado a prestar esclarecimentos, complementando as informações que deu durante a fase de inquérito, sem acrescentar, contudo, factos novos à acusação.

Na sessão de ontem, o ex-diretor comercial da O2, que pertence a Manuel Godinho, admitiu que o sucateiro de Ovar tinha acesso a informação privilegiada, que resultava no favorecimento das suas empresas.

O gestor referiu-se, por exemplo, às negociações entre a O2 e a REN sobre a fase 2 do desmantelamento da central de Alto Mira, afirmando que ficou com "a nítida sensação" que Manuel Godinho "estava a ter informação do interior" da empresa, desconhecendo, contudo, com quem ele terá falado.

Questionado pelo juiz presidente Raul Cordeiro, o arguido confirmou que, nessa altura, Paulo Penedos, filho do presidente da REN e coarguido no processo, já prestava serviços para as empresas de Manuel Godinho.

Namércio Cunha adiantou ainda que Fernando Santos, ex-administrador da eléctrica e coarguido no processo, lhe terá dado conta da existência de propostas "mais competitivas".

Uma referência feita depois de o juiz presidente pedir explicação para o facto da O2 ter apresentado duas propostas, a última das quais com um valor três vezes superior à primeira proposta.

O arguido indicou ainda um outro caso referente a um contrato com a EDP para a limpeza de um terreno na rua do Ouro, adiantando ter avançado com um valor de 300 mil euros para a previsão de custo para a obra.

No entanto, segundo Namércio, o sucateiro terá dado instruções para avançarem com uma proposta de 780 mil euros, alegando que "os trabalhos teriam de ser superiores".

"Sabia que ele estava a ter contactos diretos com alguém da EDP. Hoje em dia tenho outra visão. Não tinha a percepção do que se estava a passar com as viaturas", afirmou o arguido, referindo-se à alegada oferta de uma viatura Mercedes Benz a Paiva Nunes, ex-administrador da EDP Imobiliária.

Ainda nas relações entre a O2 e a EDP, o arguido diz que se apercebeu que houve "manipulação de pesagens", dando como exemplo um caso de recolha de transformadores, mas acrescentou que a empresa acabou por rectificar a pesagem inicial.

O interrogatório a Namércio Cunha foi interrompido ao final da tarde e será retomado hoje de manhã.

O caso 'Face Oculta' está relacionado com uma alegada rede de corrupção que tinha como objectivo o favorecimento de um grupo empresarial de Ovar ligado ao ramo das sucatas nos negócios com empresas do sector empresarial do Estado e privadas.

No banco dos réus estão sentados 36 arguidos (34 pessoas e duas empresas) que respondem por centenas de crimes de burla, branqueamento de capitais, corrupção e tráfico de influências.

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