Crise pode 'despertar' atitudes contra estrangeiros

Alta Comissária para a Imigração considera ser essencial a prevenção do fenómeno

07/02/2009 11:32
Lusa
Etiquetas
País
Ferramentas
Interessante
Achou este artigo interessante?
 

A Alta Comissária para a Imigração alerta que com o agravamento da crise económica poderão surgir em Portugal 'comportamentos' contra trabalhadores estrangeiros semelhantes aos que portugueses estão a sofrer no Reino Unido, considerando ser essencial a prevenção deste fenómeno.
Em entrevista à agência Lusa a propósito do primeiro aniversário como Alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, Rosário Farmhouse sublinhou que, caso a situação económica piore ainda mais, um dos grandes desafios que enfrenta nas suas funções é 'prevenir, em Portugal, comportamentos semelhantes' aos que se verificam no Reino Unido, que são 'preocupantes' e 'injustos'.
'Isto preocupa-nos bastante. Sem imigrantes o futuro será bem pior. É graças a eles que vamos conseguindo ter algum equilíbrio demográfico e na balança da segurança social. Será uma tarefa muito árdua, que só será possível através da sensibilização da opinião pública', frisou.
Rosário Farmhouse lembrou que 'é importante que os portugueses façam um exercício constante de memória'.
'Somos um país de emigrantes e gostamos de ser bem tratados lá fora', referiu, lembrando que os portugueses, apesar de alguns defeitos, são 'acolhedores, humanistas e generosos em tempos de crise'.
'Vai haver dificuldades e tensões, mas vamos conseguir demonstrar que somos diferentes e que não vamos fazer aos imigrantes aquilo que actualmente nos estão a fazer no Reino Unido', frisou.
Outro desafio que a crise económica coloca ao Alto-comissariado em 2009 é, segundo Rosário Farmhouse, uma aposta forte no empreendorismo e na inserção dos trabalhadores estrangeiros na vida activa.
A responsável adiantou que o investimento no 'empreendorismo dos imigrantes e na rede de estruturas de apoio ao emprego para imigrantes (UNIVA) serão 'medidas fulcrais nesta ano devido à crise'.
'Queremos que os imigrantes, que como os nossos emigrantes, têm capacidades de resistência e de empreendedorismo naturais, percebam que podem surgir novos nichos de mercado. É uma aposta que começou em 2008, mas que queremos definitivamente reforçar em 2009', adiantou.
Rosário Farmhouse lembrou que os trabalhadores estrangeiros estão a 'sofrer com a crise como qualquer português', apesar de, muitas vezes, serem 'os primeiros a sofrerem os efeitos devido aos vínculos laborais mais frágeis'.
No entanto, lembrou que os imigrantes têm 'mecanismos e estratégias de defesa maiores do que outras classes que, necessariamente, vão ser afectadas com a crise'.
'Sempre estiveram habituados a viver vidas remediadas e com dificuldades, pelo que são psicológica e socialmente mais resistentes do que outras pessoas que nunca passaram por dificuldades tão profundas', considerou.

Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

O nome que será apresentado como autor do comentário.
O conteúdo deste campo é privado e não será exibido publicamente.

Outras relacionadas...

PUB

Espaço participação

Que espera da selecção portuguesa de futebol no Euro'2012?

Agora que o estágio começou, que conselhos deixa aos jogadores e ao treinador?

PUB