Ovnilogia celebra 60º aniversário

Portugal também 'regista' avistamentos de OVNI's

30/06/2007 15:58
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O avistamento de um Objecto Voador Não Identificado (OVNI) pelo piloto de uma empresa privada norte-americana Kenneth Arnold a 24 de Junho de 1947 e a alegada queda de um OVNI em Roswell, Estados Unidos, dez dias depois, a 4 de Julho, são duas datas cujo 60º aniversário da ovnilogia está a celebrar este ano.
'Estes casos tornaram 1947 no ano que inaugura a ovnilogia moderna', afirmou Filipe Gomes, co-fundador e membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Ovnilogia, criada formalmente me Fevereiro de 2005, explica como se organizam os encontros imediatos com os OVNIs.
De acordo com Filipe Gomes, 'um encontro imediato do primeiro grau refere-se ao avistamento do objecto a uma distância entre os 100 e os 200 metros, enquanto um de segundo grau diz respeito a um avistamento associado a uma reacção electromagnética no ambiente ou outros vestígios, nomeadamente no solo'.
'Os designados encontros imediatos em terceiro grau são aqueles em que são observados seres junto dos OVNIs', explicou Filipe Gomes, que tem procurado reunir casos deste último género, tendo conhecimento de 'cerca de dezena e meia'.'O primeiro deles registou-se em Setembro de 1954 nos Açores e o mais recente, que data do Verão de 2002, teve lugar na Serra da Arrábida, embora aí tenha sido visto um humanóide sem que tenha sido detectado um OVNI por perto', contou o elemento da Sociedade Portuguesa de Ovnilogia.
De acordo com Filipe Gomes, 'embora o pico de avistamentos seja geralmente em Setembro/Outubro, o Verão é também uma altura propícia, não só devido a condições atmosféricas como o céu limpo, como à presença de mais pessoas na rua até tarde, por ser um período de férias'.
A densidade demográfica é outro dos aspectos que destaca: 'Nas zonas litorais, incluindo o Algarve no Verão, ver um OVNI pode tornar-se mais comum pelo facto de que, havendo mais pessoas, aumenta estatisticamente a possibilidade de um avistamento'.
No entanto, 'os fenómenos OVNI estão bastante localizados em Portugal, com maior incidência junto à água, nas barragens e nas Serras da Gardunha, de Sintra, de Montejunto, da Estrela e de Monchique'.
'Da Serra de Grândola até Sines, no Alentejo - sobretudo na zona das Minas de São Domingos e em Mértola - na Madeira e nos Açores também há relatos, sendo que os Açores são um caso interessante, dada a quantidade de ocorrências face ao número de habitantes', revelou.
Apesar de ser um entusiasta do tema, Filipe Gomes acredita que 'a época de ouro da ovnilogia portuguesa foi na segunda metade de 1970, quando havia mais investigação e debate, pois actualmente falta cunho científico a muito do trabalho que se faz e a população em geral não está esclarecida sobre o que ouve ou vê'.
E o que vê quem se depara com um OVNI? 'Vê um objecto artificial inteligente de origem não humana ou de origem humana mas secreta, talvez militar, sendo comuns a forma de esfera, a forma oval e os discos, havendo ainda os triângulos negros com luzes nos vértices ou mesmo no meio'.
Apesar de considerar os avistamentos como 'filhos menores da ovnilogia', Luís Aparício, presidente da Associação de Pesquisa OVNI, garantiu à agência Lusa que os 'triângulos negros costumam ter relação directa com casos de abdução' - termo recorrente em ovnilogia para designar um sequestro temporário.
Embora defenda que 'no espaço existem diversas civilizações e muito mais avançadas do que a nossa', Luís Aparício também não exclui a possibilidade de existirem aparelhos militares envolvidos, 'nomeadamente o avião norte-americano TR3B, de forma triangular e capaz de anular em 86% o efeito da gravidade'.
O facto de serem vistos Objectos Voadores Não Identificados antes de grandes catástrofes é outros dos aspectos assinalados pelo presidente da Associação de Pesquisa OVNI: 'Como se explica que tenham sido avistados vários discos metálicos na Índia e na Indonésia dias antes do tsunami no Sudeste Asiático, em Dezembro de 2004? Seria uma forma de alerta para o que viria a acontecer?' - questiona.
Luís Aparício recordou também que, 'em Outubro de 2005, milhares de bolas brancas - semelhantes às que a 20 de Maio passado voaram sobre o Peru, tendo sido filmadas pela televisão andina - passaram sobre Lisboa tendo uma das pessoas que as avistou afirmado que, à distância de um braço estendido teriam três centímetros de diâmetro'.
'Dado que estariam a uns 12 mil metros de altitude, qual seria o seu diâmetro real? Talvez mais de cem centímetros!', avançou, acrescentando que, 'na capital peruana, as esferas chegaram mesmo a formar desenhos no céu, tal como por vezes surgem os círculos inexplicáveis nas searas ou no gelo'.


General Lemos Ferreira recorda encontro nos céus 50 anos depois


Um dos avistamentos de Objectos Voadores Não Identificados (OVNIs) que continua a fazer história teve lugar a 04 de Setembro de 1957 com um conjunto de militares da Força Aérea Portuguesa que voava sob o comandado do então capitão José Lemos Ferreira.
Cinquenta anos depois, o general retirado descreveu à agência Lusa o encontro de 'cerca de 35 minutos' ocorrido 'durante um voo de treino de navegação de quatros aviões F-84G entre a Ota e as cidades espanholas de Córdova e Cáceres'.
'Estávamos por cima de Córdova, a uns nove mil metros de altitude, quando vimos, ligeiramente acima da linha do horizonte, algo diferente do habitual: não era uma estrela, um astro ou um cometa, era uma espécie de esfera amarelada', recordou.
'Eu tinha um avião à minha direita e dois à minha esquerda, tendo recorrido à interfonia para partilhar impressões sobre o que estávamos a ver, sem conseguirmos chegar a nenhuma conclusão', acrescentou.
Mas o espanto ainda estava no início, pois 'após uns minutos, o objecto entrou em sucessivas expansões e retracções, passando da forma esférica amarela a uma grande bola colorida, como se fosse um berlinde dos miúdos mas de enormes dimensões'.
'Inicialmente ficámos na dúvida se a diferença de tamanho se devia à nossa aproximação mas depois vimos que o objecto estava realmente a variar de dimensões. Era como se, em segundos, se transformasse de uma bola de bilhar numa bola de basquetebol', contou.
Quando os aviões já iam na direcção de Cáceres, cidade espanhola que não chegaram a sobrevoar, deu-se a mais significativa das alterações, 'pois a esfera multicolor tornou-se numa espécie de salsicha mordiscada na periferia e mudou de cor para um vermelho intenso, deslocando-se para baixo da linha do horizonte'.
Eram quase 22:00 e o grupo não sabia o que pensar, 'sobretudo ao ver que quatro pequenas esferas amareladas como a inicial se destacavam do primeiro objecto e se posicionavam em torno deste', revelou Lemos Ferreira.
'Quando nos dirigíamos à Ota, um dos pilotos teve a sensação de que as esferas vinham sobre nós, pois deslocavam-se na nossa direcção a uma enorme velocidade', descreveu o também ex-Chefe de Estado Maior da Força Aérea, acrescentando que 'os aviões dispersaram para evitar uma possível colisão e, quando voltaram a reunir-se, já não foi possível ver mais nada'.
Lemos Ferreira, que é também ex-Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas assinalou que 'naquela época os OVNIs não eram objecto de conversa na Força Aérea', pelo que nenhum dos elementos do grupo 'imaginara que um encontro daqueles pudesse acontecer', tendo sido feito um relatório conjunto 'que a Força Aérea deve ter remetido à NATO'.
Sem querer avançar hipóteses concretas sobre o sucedido, o militar na reforma revelou que 'no dia e à hora em que isto aconteceu, dois ou três oficiais que eram caçadores viram, na zona de Coruche, onde os aviões começaram a baixar, uma dança de luzes no céu'.
Também um oficial que estava na Ota mas estudava em Coimbra contou a Lemos Ferreira que o Instituto Geofísico de Coimbra detectara, em simultâneo com o encontro, 'variações significativas no campo magnético terrestre'.
Apesar destas coincidências, o general considera que 'estabelecer uma relação seria especular' e conclui: 'A verdade é que, tendo milhares de horas de voo, como tripulante e como passageiro, nunca vi mais nada'.

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