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Descobrir espécies novas ajudará a proteger a Gorongosa

Equipa de 15 cientistas propõem-se fazer levantamento de animais e plantas no parque de Moçambique

14/04/2013 11:35
Lusa
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O investigador que vai liderar um levantamento dos animais e plantas existentes na Gorongosa está confiante de que a expedição permitirá descobrir espécies nunca antes vistas por um cientista, o que ajudará a proteger aquele parque nacional moçambicano.

Piotr Naskrecki vai liderar uma equipa de 15 cientistas que na terça-feira começam um estudo das espécies existentes no Parque Nacional da Gorongosa e afirmou ser "muito provável" que os investigadores encontrem espécies "que nem sequer têm nome ainda".

Em entrevista telefónica à Lusa, sublinhou a importância de descobrir novas formas de vida nesta expedição, afirmando que "pôr nome nessas coisas é o primeiro passo para garantir que sobrevivem no futuro".

"Uma das funções deste parque é proteger a biodiversidade e só é possível proteger eficazmente o que sabemos existir. O primeiro passo para garantir que algo sobrevive é saber que existe e conhecer a sua biologia", disse.

O investigador afirmou que será provável encontrar espécies endémicas, que só existem na Gorongosa, o que acredita ser "um argumento que reforça a noção de que a região precisa de ser protegida".

Durante a expedição, de três semanas, os cientistas vão dar especial atenção aos animais pequenos, como insectos, rãs e cobras.

Entomólogo, especialista em gafanhotos e autor de um 'blog' intitulado "A Pequena Maioria", Piotr Naskrecki não esconde a sua admiração pelos animais pequenos.

"É sobre esses grupos que temos menos informação e eles são os mais importantes, são a fundação dos ecossistemas. As pessoas tendem a focar-se nos animais maiores e mais carismáticos, mas os ecossistemas são mantidos por estes organismos mais pequenos, que normalmente não têm atenção suficiente".

Entre os 15 cientistas, cada um tem a sua área. Há uma especialista em leões, outro em rãs, outro em cobras, outro em aves. E há mais do que um entomólogo, cada um versado num tipo específico de insectos.

"Um vai estudar só insectos sociais, como térmitas e formigas, outro escaravelhos", exemplificou Naskrecki, sublinhando a importância de estudar os escaravelhos que se alimentam de estrumo e que, por isso, podem dar aos cientistas informação sobre os outros animais.

"Mesmo que não tenhamos um registo positivo de um determinado animal, se encontrarmos um escaravelho que se alimenta do seu estrume teremos um bom indicador de que esse animal existe na zona", disse.

Na equipa, que inclui investigadores africanos, europeus e africanos, há um brasileiro, especialista em escaravelhos, e três moçambicanos, um especialista em répteis e dois estudantes de mestrado.

A participação na expedição será parte da formação dos mestrandos, disse o líder da equipa, afirmando tratar-se de uma boa oportunidade de aprender as técnicas de recolha de amostras de biodiversidade junto de cientistas mais experientes.

Piotr Naskrecki é um entomólogo, fotógrafo e autor polaco, actualmente a trabalhar no Museu de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard, nos EUA.

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