Presidente do Parlamento Europeu tece críticas a Portugal

Eurodeputado Paulo Rangel vai pedir explicações a Martins Schulz

09/02/2012 12:45
Lusa
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Depois das declarações da Chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a Madeira, o presidente do Parlamento Europeu criticou, num debate gravado em vídeo e hoje noticiado pelo jornal Público, a visita-relâmpago que o primeiro-ministro português fez em novembro a Angola, na qual admitiu ir à procura de capital angolano para as privatizações em curso.

 

"Passos Coelho apelou ao governo angolano a que invista mais em Portugal, porque Angola tem muito dinheiro. Esse é o futuro de Portugal: o declínio, também um perigo social para as pessoas, se não compreendermos que, economicamente, e sobretudo com o nosso modelo democrático, estável, em conjugação com a nossa estabilidade económica, só teremos hipóteses no quadro da UE", disse Martin Schulz.

Na sequência das críticas de Martin Schulz à visita do primeiro-ministro a Angola para atrair investimento, o eurodeputado Paulo Rangel vai enviar ainda hoje um pedido de esclarecimento formal ao presidente do Parlamento Europeu. "O presidente de uma instituição europeia não pode fazer uma crítica à política externa portuguesa", afirmou Paulo Rangel à agência Lusa, sublinhando que "Portugal é, há nove séculos, um Estado independente e há cinco séculos que tem relações privilegiadíssimas com os cinco continentes, designadamente com os espaços em que se fala a língua portuguesa".

Embora admita que as críticas do presidente do Parlamento Europeu tivessem um caráter exemplificativo, "procurando dar a entender que a Europa não está a fazer tudo o que devia e isso faz com que os países tenham de procurar soluções noutros continentes", o eurodeputado referiu não compreender a "facilidade com que se fala sobre a diplomacia portuguesa e das suas prioridades". Por isso, Paulo Rangel, eleito pelo PSD, vai apresentar ainda na manhã de hoje um pedido formal de esclarecimento. "Aquilo que eu vou fazer esta manhã - aliás dentro de momentos - é apresentar ao presidente Martin Schulz um pedido formal de esclarecimento. Vou pedir que ele esclareça qual o sentido das suas afirmações, explico as prioridades da política externa portuguesa - que ele, aliás, conhece", revelou Paulo Rangel.

"Não é institucionalmente correto que o presidente do Parlamento Europeu, enquanto tal, possa produzir esse tipo de declarações", acrescentou. Para o eurodeputado português, existe hoje "um certo facilitismo na forma como se fala da política externa portuguesa", quer por parte de dirigentes de países europeus, quer pelas instituições europeias. "Isto tem a ver com uma crise de confiança. Um dos problemas da crise europeia é que se criou uma desconfiança, um ressentimento entre as opiniões públicas e entre os dirigentes dos vários países", concluiu.

 

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Comentários

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O sr. eurodeputado não percebe porque é que os outros politicos de nacionalidade estrangeira comentam com facilidade as politicas portuguesas?
Eu explico sr, eurodeputado eu explico!
Sabe, costuma-se dizer que para sermos respeitados temos de dar-nos ao respeito, coisa que o sr. e os seus colegas não souberam, não sabem, e duvido que alguma vez saibam como se faz.
Portugal precisa de uma purga politica, para se livrar dos políticos mediocres que assolam o nosso estado!

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Contra os produtos alemães ponto final...

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O que este RELES schultz tem de dar pitaco nas relacoes politicas e comerciais de Portugal?
Mas um alemao que deveria ficar bem caladinho e nao o fez.
Os alemaes ainda estao MORTIFICADOS pela privatizacao da EDP, que eles QUERIAM COMPRAR por uma miseria qualquer, e perderam para o chinocas que pagaram muito mais e vao investir muito mais.
Penso que a SAIDA DO ABISMO em que Portugal se encontra NAO SERA so atraves dos parceiros da EU. Penso que sera a Africa de lingua portuguesa e o Brasil que poderao AJUDAR-NOS.
Onde anda o FURAO BARROSO que nao "aconselhou" esses RELES alemaes a se calarem sobre Portugal? Ja sei. Ele NAO pode "descer o porrete" nos seus patroes alemaes e franceses, senao mandam-no para o inferno em Portugal, coisa que ele tem calafrios so em pensar!

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O Martins "chulo" pensa que isto é so abrir a boca e toma que vai disto! Entao e a chanceler que passou em angola o ano passado foi lá para quê??? ... Devia ser o capuchinho vermelho que ia levar comidinha a avozinha ... O "Chulo" tem pena é que as nossas relações com Angola não se baseiam exclusivamente no dinheiro e na riqueza que uma proximidade natural que nunca haverá com a forma de ser alemã...
Palerma "Chulos" há muitos ... pensava eu que so o presidente do parlamento da região autonoma era uma vergonha afinal há mais tristezas á frente de parlamentos!!!

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Não concordo com o Sr., isso é o que os grandes da UE nos querem fazer crer, há mais vida para além da UE, principalmente quando nesta pouco temos a dizer, tenho de concordar com o eurodeputado Paulo Rangel. Este Sr., alemão por sinal, não podia deixar de ser, não nos quer é a procurar parcerias fora da UE, assim essas ficam todas nas mãos de Alemanha e França e os outros ficam cada vez mais subjugados. Devemos mostrar cada vez mais à UE que temos vida e alianças fora da UE, o que sempre foi temido pelo resto do mundo em relação aos países lusófonos é o chamado triângulo dourado Angola/Brasil/Portugal, que com os restantes países de língua portuguesa é um dos maiores blocos económicos do mundo, maior que a UE em alguns aspectos (recursos, territórios, ZEE) e equiparável a mais de meia UE noutros (população, desenvolvimento) mas com a paz e estabilidade política e social destes blocos, e a histórica amizade e respeito e aproximação cultural, todos podem encontrar interesse uns nos outros e todos podem beneficiar através da troca de recursos. Se alguém tem dúvidas vejamos, o desenvolvimento tecnológico português e brasileiro, o petróleo brasileiro, angolano, timorense, e potencialmente português e moçambicano, o clima e condições agrícolas dos territórios, a área piscatória, o turismo, etc.
Provas desse facto, presentes e passadas são:
Portugal é de onde partem mais voos regulares para a América do Sul, só graças ao Brasil e à Venezuela;
A Petrobrás a Galp e a Sonangol são grandes players no negócio petrolífero;
Antes de 1975 a TAP foi a 1ª companhia aérea europeia a ter toda a frota composta exclusivamente por aviões a jacto;
No mesmo período a TAP foi das 5 1ªs companhias aéreas a ter um jumbo, graças às viagens intercontinentais;
Portugal em S. Tomé e Princípe e Guiné-Bissau e o Brasil eram os maiores produtores mundiais de café e cacau;
Entre muitos outros exemplos;
Quanto à perspectiva dos europeus relativamente à aproximação natural dos países de língua portuguesa, temos exemplos do que estes temem:
A Embraer (brasileira) a concorrer com a Airbus na Europa;
A autonomia energética de Portugal ou dependência de outros que não os europeus (a EON não ter ficado com a EDP foi outro espinho);
A perspectiva que Portugal entre em mercados que interessam aos centro europeus;
A perspectiva que parcerias lusófonas possam concorrer com as francófonas ou alemãs;
Resumindo o simples facto que este bloco lusófono se torne homogéneo, desenvolvido e autónomo e com pouca participação ou volume de negócios dos restantes europeus.
O que une os lusófonos é além da língua algo de emocional que é algo que os restantes europeus não entendem, e por esse facto entre lusófonos a solidariedade é mais do que uma palavra, se olharmos à história vemos que ao resto do mundo esta amizade nunca interessou porque tinham interesses económicos, veja-se o Brasil vejam-se os países africanos de língua portuguesa e veja-se a presença francesa com forças de "paz" em África por vezes a apoiar ditaduras, desde a independência Portugal deixou que cada povo decida o seu destino sem interferências na política dos mesmos, vejas-se também por comparação a actual política europeia metediça com a Grécia, Portugal, Irlanda, Itália, Hungria, Roménia e Eslováquia, onde eleitos são depostos pela França e a Alemanha... Basta!

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Caro GTGV,
Voce foi SUPER FELIZ na sua exposicao.
Pena que os governantes portugueses, por imcompetencia ou cegueira, AINDA NAO se deram conta que sao os paises tipo Brasil e Angola e depois paises de lingua portuguesa, que poderao tirar Portugal do abismo.
Os alemaes, ingleses, franceses, etc etc. NAO ESTAO ingteressados que Portugal tenha outras e melhores opcoes fora da EU.
Os paises emergentes, fora da lingua portuguesa mas com otimas relacoes com Portugal, poderao ser para nosso pais mais uma boa opcao.
Alguem de peso MANDE ESSE RELES schultz ficar caladinho!
O nosso PM precisa parar de ir beijar os pes da RELES chanceler alema!

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Muito bem. Portugal tem sempre a opção e deve mantê-la viva, entre a Europa e o Atlântico. É o nosso património secular.

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amigos, este grande palhaço teve a lata de criticar o nosso grande País! ainda por cima de uma forma arrogante e a querer meter a colher onde não lhe diz respeito. Toca a demonstrar o que sentimos por ele na sua página do facebook.

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lol.

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