Polícias em greve voltam a entrar em confronto com soldados

06/02/2012 18:26
Lusa
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Brasil, Confrontos, polícia
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Polícias militares brasileiros em greve na cidade de Salvador, na Baía, entraram novamente em confronto com os soldados das Forças Armadas que cercam o edifício da Assembleia Legislativa, onde os grevistas estão acampados.

Os soldados dispararam balas de borracha e gás de pimenta e pelo menos dois grevistas e um operador de câmara de televisão ficaram feridos, segundo informações da imprensa brasileira.

A greve policial teve início na terça-feira e tem gerado forte tensão em todo o estado da Baía, para onde cerca de 2.500 efetivos das Forças Armadas foram enviados para garantir a segurança.

Uma testemunha ouvida pela Agência Lusa relata que a cidade está vazia, com os moradores a evitarem sair de casa.

"As pessoas estão evitando sair de casa, só sai mesmo quem não pode adiar os compromissos. Quem precisa passar na zona do Centro Administrativo tem de optar por outro caminho porque lá ninguém entra e ninguém sai", descreveu a corretora de seguros Vanessa Rocha.

Segundo a mesma testemunha, as aulas em escolas e universidades particulares foram canceladas. Outro motivo para as ruas vazias são as revistas realizadas por soldados armados, que estão a intimidar os moradores.

"Eu e o meu marido passámos hoje em frente ao local [onde estão os PMs] e vimos muito tumulto. Na sexta-feira, já havia um bloqueio e só passava um autocarro ou carro de cada vez. Fomos revistados por soldados com a arma em punho", acrescentou.

De acordo com a corretora, as forças militares estão concentradas principalmente nos bairros turísticos da cidade, enquanto as áreas de menor prestígio permanecem sem policiamento.

"Sabemos que a própria população também está a aproveitar da situação. Nas filmagens dos saques a supermercados e lojas dava para ver que eram pessoas do próprio bairro a aproveitar da falta de presença policial", denunciou Vanessa Rocha.

Desde o início da paralisação dos polícias militares foram registados 93 casos de homicídios somente na região metropolitana de Salvador.

A situação fez com que o governo da Baía sinalizasse a intenção de reajustar os salários dos PMs em 6,5 por cento este ano, proposta que não foi aceita pelos grevistas.

 

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