"Abrir portas" da Europa a lusófonos pode ser "exercício complicado"

Palavras do secretário-executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira

03/02/2012 08:03
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O secretário-executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, considera que Portugal continua a ter "potencial" para "abrir as portas" da Europa aos países lusófonos, mas admite que, no atual contexto de fragilidade económica, este é um exercício "complicado".

 

"Portugal tem esse potencial. Se consegue os mecanismos para dele se servir e promover é uma questão que deve ser colocada não só a Portugal, mas ao conjunto dos países. (...) Pode ser um exercício complicado (no actual contexto)", disse Domingos Simões Pereira.

 

O secretário-executivo da CPLP respondia desta forma quando questionado pela agência Lusa sobre se, numa altura em que se discute a eventual perda de soberania dos países sob supervisão financeira, Portugal tem condições para promover os interesses da CPLP na Europa.

 

"Portugal é um actor muito importante dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), é quem deve abrir as portas do espaço europeu para os restantes países e é quem deve representar-nos a todos no espaço europeu", acrescentou.

 

O responsável adiantou que os interesses dos países lusófonos não passam "pela ajuda pura e dura" do bloco europeu, mas por potenciar investimentos e criar espaços de oportunidade nestes países.

 

Lembrou que da cimeira União Europeia/África, realizada em 2007, em Lisboa, "saíram indicações muito importantes que poderiam liderar a nova redescoberta que a Europa poderia fazer em relação a África. Não no sentido colonial, mas a redescoberta de uma parceria hoje mais actual e actuante e que permita transformar esses espaços de potencialidade em ganhos reais."

 

O secretário-executivo da CPLP, que em Junho termina o seu segundo e último mandato, acredita que a solução para a crise europeia passa por encontrar produtos e mercados alternativos em outras geografias.

 

"A Europa precisa ser orientada noutro sentido e países com conhecimento de geografias como África, América Latina e Ásia, que ainda estão num estádio de desenvolvimento médio e emergente, precisavam ser tidos em conta", disse, lamentando que a actual liderança europeia tenha "pouco conhecimento desses espaços" e trate "quem tem conhecimento como países periféricos".

 

Domingos Simões Pereira admitiu que a CPLP tem falhado como comunidade económica, sublinhando a importância de um estudo sobre cooperação económica nos oito países lusófonos que está a ser elaborado por um conjunto de peritos.

 

"Queremos discutir a crise numa perspectiva positiva, perceber o que é que a CPLP pode representar para cada um dos Estados-membros como espaço de oportunidade. Por isso, convidámos técnicos dos vários países para reflectirem em conjunto e apresentarem propostas", disse.

 

Essas propostas serão analisadas pelo Conselho de Ministros Extraordinário, que decorrerá em Lisboa, a 6 de Fevereiro, integrado no programa de inauguração da nova sede da organização.

 

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