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Pretória e SADC tentam substituir África francófona e ocidental como "voz do continente" na UA

Candidatura de Nkozana Dlamini-Zuma em causa

20/01/2012 08:15
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A candidatura da ministra do Interior sul-africana
à presidência da comissão da União Africana (UA) foi ontem vista por observadores
como uma tentativa de Pretória e da África Austral serem a voz dominante
do continente em fóruns mundiais.

A candidatura de Nkosazana Dlamini-Zuma foi formalizada na quarta-feira
em conferência de imprensa pela ministra dos Negócios Estrangeiros sul-africana,
Maité Nkoana-Mashabane.

A chefe da diplomacia da África do Sul afirmou que o objectivo de Pretória
é "dar continuidade ao bom trabalho do actual presidente" (da comissão da
UA), o gabonês Jean Ping.

Um diplomata da África Ocidental acreditado em Pretória disse à agência
Lusa, sob anonimato, estar convencido de que a tentativa do governo sul-africano,
apoiada pelos 15 Estados-membros da Comunidade para o Desenvolvimento da
África Austral (SADC), "é a expressão de uma espécie de superioridade que
o ANC (Congresso Nacional Africano, no poder) e o governo sul-africano assumem
perante o continente quer na política quer nos negócios".

A maioria dos comentadores afirmou ser pouco provável que a candidatura
de Dlamini-Zuma, ex-ministra dos Negócios Estrangeiros e divorciada do presidente
Jacob Zuma há uma dezena de anos, venha a ter êxito.

Na primeira eleição, em 2008, Jean Ping obteve uma maioria de dois terços
baseada no forte apoio dos países francófonos e da África Ocidental, que
nunca expressaram publicamente desejos de mudança na comissão da UA.

A diplomacia sul-africana garantiu já que nem todos esses países se
manterão fiéis ao gabonês, candidato a um segundo mandato, quando os 54
Estados-membros da UA votarem na cimeira de Adis-Abeba, a 29 e 30 de Janeiro.

A garantia foi dada por Obed Bapela, vice-ministro da presidência sul-africana,
na mesma conferência de imprensa, que decorreu em Bele-Bela, onde o executivo
do presidente Jacob Zuma está reunido em sessão especial esta semana.

"Dos contactos que mantivemos com líderes de países na África Ocidental
posso garantir que alguns deles apoiarão o nosso candidato", referiu Bapela.

Do Gabão surgiram sinais de nervosismo face à candidatura sul-africana
e da África Austral.

O embaixador gabonês junto da ONU denunciou na segunda-feira rumores
que sugerem que o Gabão e o seu presidente retiraram o apoio a Jean Ping
na candidatura a um segundo mandato na presidência da Comissão.

"Estamos revoltados com rumores e notícias vindas a lume em alguma comunicação
social internacional e africana que sugerem que o Gabão e o nosso presidente
não apoiam o nosso candidato e que a sua campanha é mesmo financiada por
um país exterior ao continente", disse o embaixador Nelson Messone.

Messone garantiu que o presidente Ali Bongo Ondimba, todo o executivo
e o povo do Gabão apoiam incondicionalmente Jean Ping e que tais rumores
são insultuosos para o seu país e para toda a África.

Analistas sul-africanos disseram que Zuma joga alguns trunfos fortes
na candidatura da ex-mulher.

A África do Sul ocupa o único lugar africano no Conselho de Segurança
da ONU, ao qual preside neste momento, e o papel que desempenhou na crise
líbia em que se destacou como porta-voz de África na ONU na denúncia dos
bombardeamentos da NATO e na defesa de um maior respeito pelas intervenções
da UA nas crises e conflitos no continente.
 

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