O ambiente na Cisjordânia é de cepticismo, mas simultaneamente de esperança no dia em que recomeçaram em Washington as negociações directas israelo-palestinianas, disse à agência Lusa o chefe de missão da representação portuguesa em Ramallah.
"Um certo cepticismo porque, de acordo com algumas contabilidades, isto poderia ser a nona vez que se enceta uma ronda de negociações para um acordo de paz, por outro lado, há sempre simultaneamente uma esperança e uma expectativa de que esse sonho da emergência de um Estado palestiniano se possa concretizar", explicou Jorge Ryder Torres Pereira.
O responsável da Representação de Portugal na capital cisjordana declarou ter "um certo optimismo".
Porque "um diplomata profissional tem que ter uma atitude optimista quase por obrigação do seu trabalho".
Mas também porque, "comparando com momentos anteriores (...), há uma espécie de patamar de coisas adquiridas, que efectivamente se constata".
"Neste momento, há uma espécie de consenso geral em relação às grandes linhas que seriam necessárias para que um arranjo de paz entre palestinianos e israelitas se constituísse", considerou Jorge Torres Pereira.
"O problema será encontrar uma altura em que os dirigentes políticos têm efectivamente a vontade política e a capacidade em relação às suas próprias necessidades políticas internas de tomar as decisões", adiantou.
O diplomata insistiu em que "é mais importante a decisão do que propriamente a negociação", considerando haver "efectivamente uma possibilidade desses arranjos gerais (...) se consolidarem num documento".
Quanto aos ataques dos últimos dois dias a colonos israelitas na Cisjordânia, Jorge Torres Pereira disse que "todos têm a consciência de que sempre que se estiver perto ou do ímpeto negocial ou (...) do efectivo acordo de paz haverá uma grande tentação por parte daqueles que não quererão um arranjo (...) de que tentem acções".
"É preciso separar o que é um esforço real nas negociações directas entre as partes, para se chegar a um compromisso, de certa maneira isolando-as destes eventos mais ou menos trágicos do dia a dia", defendeu.
A propósito, recordou declarações do antigo primeiro-ministro israelita Yitzhak Rabin "que dizia que tinha que prosseguir o processo de paz como se não houvesse atentados terroristas e prosseguir a repressão das actividades terroristas, como se não houvesse processo de paz".
"Isto de certa maneira ainda continua a ser a linha condutora ideal", considerou.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, estão hoje reunidos com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, para relançarem o diálogo directo com vista à paz no Médio Oriente.
Bem hajam os portosantenses pela dignidade...


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