As negociações de paz entre Israel e Palestina vão ser retomadas na quinta-feira em Washington sob uma "presença activa" dos Estados Unidos e estão abertas à participação do Hamas, anunciou esta terça-feira a Casa Branca.
Israelitas e palestinianos vão hoje finalizar, em Washington, a preparação da retomada das negociações directas, já marcada pela violência na Cisjordânia.
O presidente norte-americano Barack Obama vai receber hoje os diferentes actores envolvidos neste processo de paz e reuni-los ao final do dia num jantar, que marcará o pontapé de saída das negociações, que têm o seu arranque formal na quinta-feira.
O enviado especial dos Estados Unidos para o Médio Oriente, George Mitchell, anunciou na terça-feira uma "presença constante e activa" dos Estados Unidos nas negociações, que considerou de "alta prioridade" para a Casa Branca.
"Vamos intervir de forma razoável e sensata, de acordo com as circunstâncias", assegurou.
"Penso que poderemos defender a ideia clara e sólida (...) de que uma solução pacífica que dê um fim a este conflito e crie um Estado palestiniano viável, que viva de forma pacífica ao lado de Israel, é do interesse de ambos", argumentou o responsável.
"A outra alternativa, a de se manter no futuro um conflito, sem perspectiva de terminar, é muito mais problemática", acrescentou numa conferência de imprensa na Casa Branca.
Os Estados Unidos revelam-se ainda abertos à participação do movimento islâmico palestiniano Hamas nas negociações de paz com Israel, se aquele renunciar à violência e respeitar os princípios democráticos.
"Não esperamos que o Hamas tenha um papel imediato neste processo", disse George Mitchell.
"Mas como já defendemos anteriormente, acolhemos favoravelmente uma participação do Hamas e de outras partes interessadas, desde que respeitem as condições de democracia e ausência de violência, que são obviamente os requisitos de qualquer discussão séria", argumentou.
As negociações entre Israel e Palestina cessaram no final de 2008, com a ofensiva israelita em Gaza e poucos acreditam na retomada do diálogo, mas após 20 meses sem diálogo e 62 anos de conflito, os Estados Unidos são hoje considerados como uma "janela para se encontrar uma solução" entre os dois Estados, disse Mitchell.
É uma perspectiva "realista", argumentou, embora tenha realçado que muita gente pensa o contrário.
George Mitchell realçou ainda que os Estados Unidos vão também procurar lançar esta semana as negociações de paz entre Israel e a Síria/Líbano.
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