Faz hoje cinco anos que, durante uma tarde de Março de 2003, os olhos do Mundo estiveram centrados na Base das Lajes, Açores, onde o presidente norte-americano e os então primeiros-ministros britânico, espanhol e português protagonizaram a 'Cimeira da Guerra' no Iraque.
No meio do Atlântico, George W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar, recebidos pelo primeiro-ministro português de então, Durão Barroso, reuniram-se, na tarde de 16 de Março de 2003, naquela que também ficou conhecida como a Cimeira das Lajes, que culminou, 4 dias depois, na madrugada de 20 do mesmo mês, com o início da intervenção militar no Iraque.
Desencadeada por uma coligação militar internacional, liderada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, e apoiada por Portugal e Espanha, entre outros países, a operação conduziu à ocupação militar do Iraque, que se mantém, e ao derrube do regime do ditador Saddam Hussein, que viria a ser capturado e morto, por enforcamento, depois de julgado e condenado à pena capital por um tribunal iraquiano.
Da reunião na ilha Terceira, nos Açores, havia saído um aparente derradeiro ultimato à ONU e a Saddam Hussein no sentido de se evitar uma intervenção militar no Iraque, alegadamente por via de uma solução diplomática para uma crise em que já então parecia inevitável o recurso à força das armas.
'Ou o Iraque se desarma ou é desarmado pela força', afirmou George W. Bush, na conferência de imprensa final da Cimeira das Lajes, que decorreu na base militar portuguesa, que acolhe um destacamento militar norte-americano, ao abrigo do Acordo de Cooperação e Defesa assinado entre os dois países.
Bush referia-se à então tida como hipótese credível de o Iraque dispor de armas de destruição maciça, nomeadamente químicas, uma suspeita que, embora tivesse sido a principal justificação oficial para a intervenção militar externa no país, viria a revelar-se infundada e nunca suficientemente sustentada, como reconheceram anos depois, um a um, todos os protagonistas da Cimeira das Lajes.
A Cimeira teve como anfitrião o então primeiro-ministro português, José Manuel Durão Barroso, actualmente presidente da Comissão Europeia, que foi o primeiro a chegar à infra-estrutura militar para receber George W. Bush, José Maria Aznar e Tony Blair.
Já depois do encontro, que levou centenas de jornalistas de todo o mundo à ilha Terceira, Durão Barroso disse que a Cimeira das Lajes tentou ser uma alternativa à guerra, uma última tentativa de se encontrar uma solução política e diplomática para a crise.
A Cimeira decorreu numa altura em que o conflito armado no Iraque já era dado como praticamente inevitável. 'Há poucas razões para esperar que Saddam se desarme', reconhecia o presidente norte-americano, na véspera do encontro das Lajes.
Cimeira das Lajes anunciou guerra do Iraque há cinco anos
Derradeiro ultimato à ONU e a Saddam saiu da 'Cimeira da Guerra'
16/03/2008 12:19
Lusa
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