O trabalho da primeira escavação arqueológica realizada no Funchal, no Forte S.José, conhecido porque o seu proprietário declarou a independência de Portugal, que permitiu a recolha de 19 mil fragmentos será publicado num livro este ano.
Este projeto foi hoje divulgado pelo arqueólogo madeirense Élvio Sousa, coordenador do Centro de Estudo de Arqueologia Moderna e Contemporânea (CEAM), em conferência de imprensa que contou com a presença do cientista britânico Brian Philp, da Kent Archaeological Recue Unit, com 60 anos de experiência e há seis anos vem efetuando estudos, escavações e desenhos do forte.
Élvio Sousa mencionou que foram encontrados nas escavações 19 mil fragmentos, entre os quais balas de canhão em metal e pedra, pedaços de cachimbo, lamparinas a óleo, cerâmica, ossos que serviam para os soldados fazerem botões que "provavelmente eram vendidos no mercado local" e vestígios de jogos.
"O forte de S. José é bastante importante para a história da Madeira porque foi o único forte cientificamente escavado até agora e foi possível tirar daqui um conjunto de objetos muito relevantes para explicar a defesa da Madeira, como os militares se vestiam, que tipo de objetos é que utilizavam, como se iluminava o interior, o que comiam, uma série de informações que até ao momento se desconheciam por não se ter escavado outros fortes", explicou o arqueólogo.
Além de permitir conhecer a "vida quotidiana no interior do forte", Élvio Sousa realça que também "foi possível concluir que este forte foi construído na segunda metade do século XVIII, não é anterior, embora antes possa ter havido alguma coisa na zona de ancoragem e embarcações. Foi possível ver a evolução do forte do longo do tempo, desde o uso como fortificação até a ocupação inglesa no séc. XIX, porque foram retirados daqui muitos objetos relacionados com a cultura material britânica na Madeira".
Também o arqueólogo britânico Brian Philp salientou a importância da "longa história" do forte, recordando a presença das tropas daquele país em 1801 e 1807 e mencionou que foi naquele rochedo que aconteceu o último enforcamento em Portugal, um soldado que assassinou um sargento."O Funchal precisa desesperadamente de sérias escavações arqueológicas para recordar a sua herança enterrada, uma herança de 600 anos que está enterrada debaixo da cidade, pelo que é preciso uma equipa para fazer este trabalho", defendeu o cientista.
Brian Phil destacou que "esta é a primeira escavação militar na Madeira e a primeira escavação técnica no Funchal, pelo que é muito importante por ser um começo".
O forte de S. José tem estado nos últimos anos envolvido em polémica, depois do Estado português o ter colocado à venda em 1903. Em outubro de 2002 foi comprado pelo professor Renato Barros que solicitou o reconhecimento daquele território como "Estado soberano e independente" e o autoproclamou Principado da Pontinha".
Vai ver a ficha do Jaime Ramos, puro orgulho...


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