A colisão de um avião da SATA com um bando de gaivotas, na manhã da passada segunda-feira, no Aeroporto da Madeira, veio levantar a questão da eficácia dos métodos para afugentar as aves que vêm sendo utilizados naquela infra-estrutura aeroportuária. Ainda para mais porque se trata do segundo 'bird strike' (nome técnico dado na aviação a este tipo de incidentes) ocorrido este ano na Madeira.
A ocorrência, classificada como 'incidente grave' pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves, que na sequência decidiu abrir um processo de investigação, ocorreu quando o voo 680 da SATA, com destino a Copenhaga, embateu contra um bando de aves no momento em que procedia à manobra de descolagem e se encontrava já em rotação.
Segundo o primeiro relatório daquele organismo, a colisão provocou danos graves em ambos os motores, danificando as pás da fan (reactores) e fazendo com que a porta do porão da frente se abrisse, faltando saber se em consequência do embate de uma ave ou das vibrações de grande amplitude registadas nos motores. Ainda segundo o mesmo relatório, na inspecção visual efectuada foram detectadas, também, marcas de sangue em várias partes na aeronave.
Por outro lado, peritos em aviação afirmam que tendo em conta a dimensão dos danos nos dois motores, a perícia e o sangue frio relevados pela tripulação, especialmente pelo comandante Timóteo Costa, foram decisivas para que o avião aterrasse em segurança, após um voo de 2 minutos e 50 segundos e com um peso superior à massa máxima para aterragem, uma vez que não havia possibilidade de verter o combustível.
Já este ano, a 27 de Março, uma ave de grande porte havia entrado por um dos reactores de uma aeronave da companhia 'easyJet', quando procedia à aterragem no Funchal. O incidente provocou danos elevados no avião, impedindo-o de realizar o voo de regresso a Lisboa.
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