O geógrafo Raimundo Quintal voltou a criticar ontem, em mensagens por e-mail, a situação do aterro do Porto do Funchal. Recorde-se que já anteriormente Quintal tinha divulgado um conjunto de fotografias e um curto texto sobre a evolução da linha da costa na baía do Funchal no último ano.
"Com essa missiva pretendia tão só apelar à reflexão, incentivar o debate sobre o futuro duma das unidades de paisagem mais emblemáticas e sensíveis da Madeira. Nas regiões onde a educação e a cultura são imperativos, os cidadãos opinam sobre os problemas do ambiente e participam activamente na criação de soluções sustentáveis. Nas regiões estigmatizadas pelo betão e pela má-criação, os chefes decidem e depois encomendam projectos, que, antes de qualquer debate público, são executados o mais rápido possível por um séquito incapaz de dizer não".
"Depois de dois dias", prossegue o geógrafo e ambientalista, "com as ondas a transportar pedras, terra e areia para o interior do porto, os camiões voltaram a descarregar materiais retirados das ribeiras no limite sul do aterro. Quem publicamente se indigna perante esta loucura, que só terminará quando encalhar um navio de cruzeiro, é acusado de inimigo da Madeira e mimoseado com o habitual cardápio de impropérios. Devido à insensibilidade e à arrogância, a baía do Funchal está a ser descaracterizada por quem deveria ter a responsabilidade de salvaguardar a sua extraordinária beleza. Arrastam-se as obras do edifício teimosamente implantado junto à Avenida Sá Carneiro, ainda não houve dinheiro para criar um jardim florido na rotunda à saída do porto e para plantar umas bungavílias no talude localizado à frente dos olhos de milhaes de turistas que saem do molhe da Pontinha, mas terá de ser construído mais um cais a sul da Avenida do Mar só porque numa noite de alucinação alguém decidiu que assim seria. Quanto vai custar? Quem vai pagar? Quais os impactos na circulação marítima no interior da baía e qual a interacção com o regime torrencial das três ribeiras? Quais impactos na imagem da cidade? Tudo minudências de ecologistas ressabiados!
O vento acabou com o balão, o mar encarregou-se de provar que o projecto do Toco é inviável e o bom senso recomenda que o aterro e toda aquela cangalhada do Vagrant desapareçam da baía. Ao invés, muito ficaria valorizada a paisagem do Funchal com uma praia de areia preta e águas transparentes rente à Avenida do Mar", opina Raimundo Quintal, que defende que "é tempo dos madeirenses, que não querem que a sua ilha seja identificada no exterior como o reino do betão e da má-criação, começarem a pensar num Movimento de Salvação da Baía do Funchal".
Isto que vou dizer,nao se enquadra bem no...


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