O Prémio Nobel da Literatura, José Saramago, visitou a Madeira quatro vezes, "gostava" da ilha e "ficou impressionado" com as serras, sobretudo o Curral das Freiras, diz a filha do escritor, declarando recusar qualquer homenagem oficial ao pai nesta região.
Numa entrevista à agência Lusa, Violante Saramago Matos, mencionou que José Saramago esteve na Madeira para fazer três conferências, uma das quais na escola secundária Jaime Moniz, que fará na terça-feira uma homenagem ao escritor, assinalando o 88.º aniversário do seu nascimento, e outra na Universidade da Madeira.
As outras duas deslocações foram para uma exposição de pintura e o casamento da neta, aponta.
"Ele gostava da Madeira, especialmente das serras. Ficou impressionado com duas ou três paisagens, sobretudo o Curral das Freiras, a dimensão e a montanha, a ocupação, os poios (socalcos), o trabalho agrícola que mostra a vontade de vencer a montanha, a génese e timbre de um povo que vai por ali acima construindo, edificando, vencendo", realça.
Violante salienta que nestas visitas José Saramago viu neste território "muito crescimento, mas pouco desenvolvimento", realçando que ele tinha "por comparação uma ilha, Lanzarote", onde são "distintas as preocupações sobre sustentabilidade, ambiente, ocupação do território e as necessidades das pessoas".
Devido a esta "referência comparativa, tinha um razoável desgosto e pena que houvesse na Madeira um conjunto de comportamentos que não eram os melhores" e "criticava politicamente" a situação na região.
Para Violante Matos, "os madeirenses vêem José Saramago como os portugueses vêem José Saramago".
Existe "um respeito, um reconhecimento, um saber, acerca de quem foi José Saramago" e "as pessoas podem não ler" as suas obras "porque não se lê muito e o livro não faz parte da preocupação primeira" neste arquipélago.
Mas "a quantidade de pessoas na Madeira com quem ainda hoje me cruzo e me dão os pêsames pela sua morte, não é outra coisa senão reveladora do respeito e reconhecimento pela figura que ele foi", diz.
Violante Saramago Matos declara que não gostava de ver José Saramago homenageado a nível oficial na Madeira, "porque o pai não se dava bem com a hipocrisia e oficialmente na região nunca foi um escritor a quem sequer se tivesse reconhecido qualidades enquanto tal".
A filha do escritor lembra "a tristeza e mediocridade que foram as declarações que pulularam na Assembleia Regional na altura do Prémio Nobel e a forma como o poder se comportou quando ele morreu".
Para a filha de Saramago, por essas razões, uma homenagem "não corresponderia à verdade e era tudo falso".
A nível nacional, sustenta que "houve uma altura em que o poder se portou mal com José Saramago, e há uma parte do poder politico que continua a portar-se mal, mas o país, as pessoas não o trataram mal".
Recorda que quando morreu, a multidão que passou câmara de Lisboa e que no caminho até o cemitério "houve sempre gente na rua e as pessoas só agem desta maneira quando respeitam, reconhecem, e muitas tinham flores, mas muitas outras tinham livros nas mãos. E isso é bom", concluiu com os olhos cheios de lágrimas.
Isto que vou dizer,nao se enquadra bem no...


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