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Actividade doméstica dos bancos deverá manter-se negativa em 2012

20/02/2012 10:14
Lusa
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Os bancos portugueses não devem regressar aos lucros este ano na actividade doméstica, segundo o presidente da APB, que está convencido que estes vão cumprir as exigências da 'troika' sobretudo se o sector público reduzir a sua dependência da banca.

Em entrevista à agência Lusa alguns dias depois de se ter conhecido os resultados dos bancos em 2011, com prejuízos acumulados que ultrapassaram 1.500 milhões de euros, António de Sousa afirmou que não ficou surpreendido com a boa reacção dos depositantes já que tanto os reguladores como os bancos tiveram a preocupação de explicar as "circunstâncias excepcionais e na sua maioria irrepetíveis que deram origem" a esses resultados, o que "foi bem compreendido pela população em geral".

Quanto às contas para 2012, o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) antecipou "melhores notícias" admitindo que o sistema bancário poderá regressar aos lucros, mas apenas suportado pelas "operações no estrangeiro".

Já em Portugal os resultados deverão ser nulos ou mesmo "tendencialmente negativos" na actividade de retalho, penalizados por factores como o eventual aumento do crédito malparado, as elevadas taxas de juro pagas pelos depósitos ou a "rentabilidade negativa" da carteira de crédito à habitação.

António de Sousa lembrou ainda que os mercados internacionais continuam fechados para as instituições portuguesas, que têm de recorrer ao Banco Central Europeu (BCE) para se financiarem, e que o regresso aos mercados não deve acontecer antes de 2014.

"Mesmo que tudo corra bem e que o Estado consiga ir aos mercados no último trimestre de 2013 a prazos mais longos, haverá um 'time lag' razoável até que bancos consigam fazê-lo", considerou.

Em relação às exigências a que os bancos estão sujeitos pela 'troika', António de Sousa afirmou que não deverá ser difícil aos bancos atingirem um rácio de transformação de depósitos em créditos de 120% até 2014 tal como estão obrigados.

"O que estava a pesar muito no crescimento desse rácio era a concessão de crédito a entidade públicas, que parece estar a manter-se constante ou mesmo a diminuir. Estão criadas as condições para que, sem grandes alterações da concessão de crédito à economia, se possa atingir 120% em 2014", garantiu António de Sousa.

No entanto, o responsável já mostrou algumas dúvidas sobre a forma como terão de ser atingidas as metas quanto aos rácios de solvabilidade. Depois de terem fechado o exercício de 2011 com um rácio de capital 'core tier 1'(a medida mais exigente de avaliar a solvabilidade de um banco) de 9%, os bancos têm de reforçar este rácio para 10% até final do ano.

No entretanto, até 30 de Junho, os bancos têm também de apresentar este rácio nos 9%, mas aqui cumprindo as exigências da Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês), como a avaliação, a preços de mercado, da dívida soberana detida a 30 de Setembro de 2011. Para o cumprimento desta meta vão entrar ainda outros factores, como o impacto em capital da transferência em 2011 dos fundos de pensões dos bancos para o Estado.

Quanto à meta a cumprir até Junho, António de Sousa refere que há notícias sobre a possibilidade de o regulador bancário europeu "repensar as exigências", além de que ainda falta definir o 'haircut' (corte) que os bancos têm de considerar para a dívida portuguesa que detêm. Nos 10% definidos até final do ano, no acordo com a 'troika', falta agora saber se esses terão de ser atingidos com ou sem as alterações entretanto exigidas pela EBA.

Em qualquer dos casos, nenhum banco português deverá falhar esta meta tendo em conta os 12 mil milhões de euros de fundos públicos a que podem recorrer para se recapitalizarem. Em vez de adquirir acções dos bancos, a lei de recapitalização permite que o Estado subscreva as chamadas 'coco bonds' (contingent convertible bonds), um título de dívida que se converte imediatamente numa acção a partir do momento em que o rácio de capital 'core tier 1' do banco desce abaixo de determinado nível.

De acordo com António de Sousa, a principal vantagem destes instrumentos híbridos é serem uma "almofada transitória", que podem ser "retirados quando não forem necessários", pelo que são "adequados" para necessidades de capital que também deverão ser elas próprias transitórias.

Questionado sobre se o facto de os bancos poderem contar com os 'coco bonds' para aumentar o rácio 'core tier 1', poderá diminuir pressão para conseguirem fazê-lo pelos seus próprios meios, António de Sousa declinou com a justificação de que estes sairão "caros" aos bancos, apesar de ainda não serem conhecidas as condições de remuneração do Estado, que terão de ser definidas na Portaria a ser publicada pelo Ministério das Finanças.

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