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Nuno Carrapato, o guarda-redes imbatível que era admirado por Mourinho

Está há 480 minutos sem sofrer golos, mas não faz disso um objectivo pessoal.

14/10/2010 02:15
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O guarda-redes que menos golos sofre em Portugal joga na Madeira. Em 2010/2011 ainda ninguém conseguiu marcar a Nuno Carrapato, número um do Ribeira Brava, que já está há 480 minutos sem sofrer golos. É obra! Mas a carreira do guarda-redes de 34 anos é muito mais do que isso: emprestou o seu talento a uma das páginas de ouro do Nacional e esteve perto de marcar presença no Euro 2004. Em entrevista ao DIÁRIO, que aqui no dnoticias.pt, colocamos em versão mais alargada, Nuno Carrapato fala do momento actual, mas passa em revista muitas épocas de alta competição, sem esquecer o mês à experiência no FC Porto de Bobby Robson e José Mourinho.

Há um ano e meio abraçou um novo projecto, este extra-futebol. É gestor de seguros e foi numa sucursal da companhia para a qual trabalha, no centro do Funchal, que Nuno Carrapato nos recebeu. Longe dos relvados, troca as luvas pelo fato, mas o à-vontade é o mesmo. De sorriso fácil, espontâneo como sempre, fala da sua carreira com enorme paixão.

Está há 480 minutos sem sofrer golos, mas não faz dessa situação um objectivo pessoal: “Estou contente com isso, acima de tudo, porque mostra a coesão do grupo, está forte e indica igualmente, que estamos a assimilar aquilo que o treinador nos pede. O mérito não é só dos defesas ou do guarda-redes. O nosso primeiro homem a defender é o avançado e a equipa funciona como um todo.”

“O facto de ainda não ter sofrido golos é secundário, pois prefiro ganhar por 5-4 do que empatar 0-0”, reforça Nuno Carrapato que, aos 34 anos, ainda não pensa no fim da carreira. “Enquanto fisicamente me sentir em condições vou jogar”, garante, sem esconder que o dia de guardar as luvas ainda está longe, embora não coloque metas a este nível.

Não poupa nos elogios que faz ao clube e aos colegas e garante ambição, em todos os momentos, para ajudar a conduzir o Ribeira Brava à II Divisão: “Estou lá para ajudar naquilo que for necessário. É um plantel jovem, mas muito equilibrado, temos alguns aspectos a melhorar, mas isso só será possível com tempo, com jogos e à medida que os mais novos adquirirem confiança. Às vezes, em jeito de brincadeira, digo que pressão só tem quem joga para não descer. Jogar com o objectivo de subir é um verdadeiro privilégio.”

E por falar em subida de divisão, e apesar de o campeonato estar ainda na quarta jornada, Carrapato já olha para alguns dos adversários que, eventualmente, poderão lutar pelo mesmo objectivo. “O Canicense surpreendeu-me pela positiva. Tenho lá amigos, como são os casos de João Fidalgo, Joel Santos, Agrela... É uma equipa experiente, mas penso que há outras que poderão intrometer-se na luta, como o Estrela da Calheta ou o Portosantense. Neste campeonato, cada jogo é um jogo e vai ser bastante equilibrado, à semelhança do que aconteceu na época passada. Quem errar menos será o campeão. Há boas equipas e nós encaramos cada jogo como uma final.”


Aposta de Scolari para o Euro 2004

1 de Janeiro de 2004. O dia fica marcado na carreira do guarda-redes e pelas piores razões. Estava a fazer um campeonato de altíssimo nível e já era apontado, por muitos, como um dos melhores guarda-redes a actuar em Portugal. A perspectivas eram as melhores e tudo corria de vento em popa. O Nacional caminhava a passos largos para a primeira qualificação europeia e Nuno Carrapato destacava-se na baliza como uma das peças-chave da equipa comandada por Casemiro Mior. No entanto, no primeiro dia de 2004, tudo se alterou... Contraiu uma grave lesão que lhe “roubou alguns sonhos.” Na altura, o seu suplente era Hilário, agora guarda-redes do Chelsea.

“Nunca tive lesões, mas quando a tive, foi a pior que me podia ter acontecido e ainda por cima no melhor momento da minha carreira”, sublinha ainda antes de recordar outro episódio. “Dias após ser operado fomos à Luz, para a Taça de Portugal. Estava na bancada e, a mando do Luís Filipe Vieira, há um vice-presidente do Benfica que vem ter comigo, para me perguntar se a recuperação estava a correr bem. Na altura acabava contrato com o Nacional e, hoje em dia, fica o tal ponto de interrogação. Se não fosse a lesão até onde teria chegado?”

A lesão, nada a apaga da memória. “Lembro-me como se fosse ontem. Estávamos na parte final do treino, o Alexandre Goulart isolou-se e quis ir atrás dele. Os ‘pitons’ de alumínio prenderam na relva e o que rodou foi o corpo, o joelho no caso. Logo no momento senti que tinha uma lesão grave e, na ocasião, o médico do Nacional, João Pedro Mendonça, meteu logo as mãos à cabeça, porque percebeu a gravidade da lesão.” Carrapato já sonhava com um ‘grande’, com a selecção, com o Euro 2004, mas... “Aí foi o ponto final no meu sonho, que era ser internacional. Fica uma mágoa, mas também um ponto de interrogação: como seria a minha carreira daí para a frente?”

Nuno Carrapato era mesmo uma das apostas de Luiz Felipe Scolari para o Euro 2004. Em 2003, já havia sido chamado aos trabalhos da selecção B, que contava com alguns jogadores que meses depois seriam chamados pelo seleccionador nacional para o Campeonato da Europa. Carrapato, então a rubricar grandes exibições na baliza do Nacional, estava na lista para se juntar a Ricardo e Quim no lote de guarda-redes com entrada directa nos 23, que iriam colocar um país inteiro a respirar futebol, a pensar no título europeu. “Foi uma lesão que me roubou alguns sonhos”, recorda, sem esconder alguma mágoa, acima de tudo porque esteve pertíssimo desse objectivo, que só não se concretizou devido a uma lesão, que marcou negativamente a sua carreira. “Cheguei à selecção B, onde tive como colegas o Miguel, Ricardo Rocha, Pedro Mendes. Sinto que nesse ano tinha tudo para ser internacional”, reconhece o actual dono da baliza do Ribeira Brava.

“O Euro 2004 começou em Junho e, semanas antes, o Casemiro Mior, que tinha falado com o Scolari, disse-me que se tivesse feito uma segunda volta ao nível do que estava a realizar até então, possivelmente seria o terceiro guarda-redes da selecção no Euro 2004”, aponta o guarda-redes natural de Almeirim.

Mesmo sem ter recebido propostas concretas, estava à vista de todos que, naquela ano, Nuno Carrapato chegaria a uma clube de dimensão superior e a chamada à selecção B também ira abrir, com certeza, as portas da equipa principal. “Chegar a um clube grande foi um sonho que, a determinado momento da minha carreira, senti que podia concretizá-lo. Em 2004 estive perto da selecção, pois sabia que da B para a A era um pequeno salto e vários foram os jogadores que lá chegaram nessa altura, casos de Pedro Mendes, Miguel, Ricardo Rocha. Ainda por cima, o nosso país atravessava uma crise de guarda-redes. Havia o Ricardo, o Quim e eu era dos poucos a jogar na I Liga.”

O destino, para quem nele acredita, reservou outro caminho. “Encarei isso como uma lição de vida e nunca vivo do passado. Não aconteceu, porque se calhar, não tinha de acontecer.”

Mourinho levou-o para o FC Porto

Estávamos em 1995, Nuno Carrapato, então com 19 anos, recém-chegado ao futebol sénior, já chamava à atenção com algumas exibições de ‘encher o olho’ na baliza do União de Montemor, equipa treinada por José Peseiro. Em início de carreira, na irreverência da juventude, todos os sonhos eram possíveis, condição reforçada depois de ter recebido um convite muito especial. José Mourinho, esse mesmo, actual treinador do Real Madrid, era à data adjunto de Bobby Robson no FC Porto. Observou alguns jogos do União de Montemor e não teve dúvidas: estava ali um guarda-redes com futuro e que apresentava qualidades suficientes para que nele se apostasse. E assim foi. A meio da época 1995/1996, Mourinho levou Nuno Carrapato para as Antas e durante cerca de um mês, trabalhou diariamente com a equipa principal do FC Porto, ao lado de Vítor Baía, Silvino e Vítor Nóvoa, trio de guarda-redes treinado pela grande figura da década de 80 na baliza azul-e branca, o polaco Józef Mlynarczyk.

Já se passaram 15 anos, mas o actual guarda-redes do Ribeira Brava guarda todos aqueles momentos com enorme carinho. Não esquece o “mês fantástico” que passou nas Antas, onde partilhou o balneário com algumas das grandes figuras do futebol português. A transferência para o FC Porto acabou por não se consumar, mas a experiência, essa, fica para sempre: “Tinha 19 anos, era um 'menino', estava a começar e foi uma experiência espectacular. Foi a meio da época, depois houve algumas divergências entre empresários e as coisas ficaram por ali. Logo a seguir dei o salto da II Divisão B para a II Liga. Foi um mês fantástico em que eu senti o ambiente que se vive naquele clube e que, ao mesmo tempo, explica o porquê de o FC Porto ter aquela mística. Jogadores como Jorge Costa, Baía, Paulinho Santos, Emerson, Secretário... sentia-se a mística dentro daquele balneário e, durante um mês, tive o privilégio de lá estar. Foi um prazer lidar com estes jogadores.”

“Oh filho, já lixaste o nosso Benfica outra vez!”

A família de Nuno Carrapato é benfiquista e o guarda-redes não foge a essa tendência. Mas como ‘trabalho é trabalho e conhaque é conhaque’, várias foram as vezes em que contribuiu, de forma decisiva, para derrotar o clube do coração. O pai é que não achava muita piada à situação: “A minha família é benfiquista e, quando estava no Nacional, o meu pai até ficava zangado comigo, porque dizia que os meus melhores jogos eram sempre contra o Benfica. Joguei seis vezes contra eles e em quase todas fui considerado o melhor em campo. Contra o FC Porto e Sporting isso não acontecia tanto. Mas às vezes quando chegava a casa, o meu pai dizia-me: Lá lixaste o nosso Benfica outra vez. E eu então dizia que é contra os maior que temos de nos mostrar.”

Madeira, para sempre!

Chegou à Madeira em 1999, então para representar a AD Machico. Mas 12 anos depois já não coloca outro cenário: mesmo depois de pendurar as luvas é por cá que pretende continuar a viver. “Estou na ilha há 11 anos, ou seja, quase metade da minha vida foi cá que a passei. Gosto muito de cá estar e não tenciono ir embora. Mesmo após o futebol estou a planear ficar na Madeira. A minha filha tem 14 anos e quase que nasceu cá, sou casado com uma madeirense e então quero ficar a viver aqui.” Ainda no último defeso recebeu convites de Belenensese e Fátima, equipas da II Liga, mas o amor à Madeira, aliado à vontade de aceitar o convite do Ribeira Brava, fez com que continuasse na Região.

 

 

 

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Olá, primo. Adorei esta intrevista...realmente somos do mesmo sangue...a mesma determinação e caracter...parabéns.
Olha, adorei estar convosco em Viana...e a minha filhota passou dias a falar na Cátia...
Um dia gostaria imenso de vos fazer uma visita...vamos ver...
Beijocas grandes para vocês e td de bom. Ilda Calado ( prima de Viana do Alentejo ).

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Sempre te reconheci como uma pessoa humilde ,mais uma vez o demonstras.
Foste ,es, seras sempre um exemplo a seguir para todos os desportistas de almeirim,
Parabens e felicidades para o teu futuro, seja ele futebol ou outro.

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O êxito já vem desde de pequenino, foi pena a lesão ter travado a tua grande carreira,! Felicidades é o que mais te desejo, um GRANDE ABRAÇO.

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Lembraste de mim nuno?
Era eu juvenil e tu junior quando fui chamado para te substituir naquele jogo em casa com o torres novas que era decisivo para subirmos para o nacional de juniores,entao nesse jogo eras titula e eu teu suplente,entao com estavamos a ser roubados e eles ao marcarem golo fora de jogo,o povo de almeirim exaltou como todos os jogadores e tu numa jogada ainda dentro da área ao saires da baliza com a bola nas mãos esticas a perna e atinges o adversario,o arbito expulsa te e ai entro eu,foi um orgulho para mim ter substituido,o pior é q acabamos o jogo so com 8 :-)
Enfim,depois veio o teu castigo e na epoca a seguir eras senior,ainda foram alguns jogos mas que n te impediram de teres sido e seres ainda o amigo e um grande guarda-redes
Grande abraço

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Força Nuno, és o orgulho de todos os jogadores criados no União de Almeirim.

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Batalhei em campo e sofro na bancada por um amigo talentoso e determinado naquilo que queria para o seu futuro. A "curva" da carreira que fez, pouco importa, eu tenho a certeza que o Nuno é o melhor... pelo talento, pelo trabalho, pela simplicidade e pela humildade! Prefiro clamar o que sempre teve à vista de todos...quando se trata de um Guarda-Redes para a I Liga em Portugal, vai-se buscar um por 2 € ao Brasil, os que cá estão, nascidos e formados e nunca foram devidamente tratados e protegidos - isto sim foi ingrato para a tua carreira Amigo!
Grande entrevista Amigo, ainda assim prefiro aquelas que sempre me deste com a humildade e simplicidade de um grande CAMPEÃO que és. Obrigado Nuno

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Fui uma vez a um Torneio Internacional de Futebol jovem com o seu nome. Estavam lá as "feras" todas do futebol europeu: real, manchester, barça etc etc. Que é feito desse torneio ?

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Amigo obrigada pela sua presença no Torneio,infelizmente nos ultimos anos o Torneio de Escolinhas realizado em Almeirim teve que ser interrompido devido á crise,um pouco à semelhança do q acontece com o nosso país,os patrocinadores começaram a escassear e por força das circunstancias obtou-se por abdicar do Torneio nestes ultimos anos,no entanto a cidade de Almeirim e as autoridades camarárias estao a tentar reunir esforços para q se prossiga com o Torneio...um abraço,Nuno Carrapato.

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É isso pixotes, és grande.
Ainda és novo e a serie madeira é bem pequena para ti, ainda te faltam muitos anos e mais alegrias ainda vais dar.
Grande abraço nuno

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Nuno Carrapato foi sempre um jovem simples, humilde e muito trabalhador. Fez parte de uma equipa de jovens de Almeirim que podiam ter chegado muito mais longe no futebol profissional, mas o não estar no momento certo no sitio certo tem destas coisas na vida. (o problema continua a ser o mesmo para muitos jovens, sem que as pessoas do futebol façam algo para acabar com ele) O mais importante é continuar com saúde e trabalho. Um grande abraço

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