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Manuscrito medieval sobre lenda do rei Artur leiloado por 2,8 milhões de euros

07/12/2010 23:49
Lusa
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O primeiro manuscrito medieval que narra de forma extensa as lendas do rei Artur, do mago Merlin, dos Cavaleiros da Távola Redonda, Lancelot e o Santo Graal foi hoje leiloado por 2,4 milhões de libras (2,8 milhões de euros).

O leilão esteve a cargo da casa Sotheby's de Londres.

Com este resultado, a obra, posta à venda por Joost R. Ritman para benefício da Biblioteca Philosophica Hermética, em Amesterdão, ultrapassou o valor máximo estimado no catálogo, que se situava entre 1,5 e dois milhões de libras.

A licitação do 'Grial de Rochefoucauld' (século XIV) realizou-se no âmbito do leilão de Manuscritos e Miniaturas Ocidentais da Sotheby's.

Trata-se do maior romance de cavalaria escrito na Idade Média e os seus temas -- a amizade, a traição, a ambição, as façanhas e os amores trágicos -- estão na base de boa parte da literatura moderna.

As histórias da busca do Santo Graal, do rei Artur e a sua corte de Camelot, ou a paixão de Lancelot, um dos cavaleiros da Távola Redonda, e da rainha Guinevere deleitaram gerações de leitores e inspiraram alguns dos melhores romances contemporâneos.

O 'Grial de Rochefoucauld' impressiona também pelo seu volume, já que, para produzir as folhas de pergaminho que formam os três tomos monumentais, se estima que foi necessária a pele de cerca de 200 vacas.

Cada uma das 107 ilustrações que acompanham o texto é uma obra-prima da arte da miniatura: descrevem cenas de combates a cavalo, torneios e batalhas, nobres aventuras e provas de força ou valentia, e as figuras, transbordantes de energia, ultrapassam muitas vezes o limite da ilustração e cobrem uma pequena parte da página em branco.

O manuscrito foi produzido na Flandres ou em Artois entre 1315 e 1323 e crê-se que foi uma encomenda de Guy VII, barão de Rochefoucauld, chefe de uma das mais importantes famílias aristocráticas de França e representante na Flandres do rei Felipe V de França.

Os três volumes foram colocados no mercado em princípios do século XVIII e adquiridos por Sir Thomas Phillios (falecido em 1872), possivelmente o mais importante coleccionador moderno de manuscritos medievais, e desde então mudaram duas vezes de mãos, entre privados.

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