“A Madeira está pronta para o desafio tecnológico”

No Brava Valley nasce a iniciativa ‘Robôbrava’ para atrair jovens de toda a Região, com apoio da LEGO. Entrevista a Noah Revoy, da parceira JumpUP Learning

20 Mar 2017 / 02:00 H.

Noah Revoy é Co-Fundador da LEGO Education Academy Certified Trainer, em parceria com a JumpUP Learning, Lda. há cerca de seis meses. Responsável pela supervisão de marketing e avaliação de novos projectos em Portugal. Natural do estado de Ontario, Canadá, tem estado na Madeira a dar apoio à iniciativa Robôbrava, que é um dos projectos com maior impacto social do Brava Valley, porque procura atrair para as tecnologias e a robótica as novas e futuras gerações.

É muito importante que as novas gerações possam conhecer mais sobre as tecnologias e a robótica. Sendo esse o principal objectivo desta iniciativa, qual a sua opinião sobre o Robôbrava?

Entendo que a robótica, a tecnologia e a programação são objectivos muito importantes. Contudo, o nosso objectivo primordial é inspirar, animar e motivar os mais jovens a aprenderem e a tomarem o controlo da sua vida. Queremos que sejam alunos activos. Eles farão coisas extraordinárias no futuro. Os robôs são um conjunto de ferramentas muito eficazes que utilizamos para ajudar os jovens a desenvolverem as suas habilidades de pensamento. Queremos que eles tenham as atitudes, a capacidade de raciocínio e lógica para ‘programar as suas vidas’. O produto final passa por termos jovens felizes, saudáveis e confiantes para construírem um futuro forte para a Madeira.

O projecto Robôbrava está instalada na Ribeira Brava, mas que a todos os concelhos da Região. Esperam descobrir novos talentos na Madeira?

O povo madeirense é aventureiro e criativo, que são as chaves para a inovação. Já me pude aperceber que vocês têm jovens muito talentosos. Na semana passada observei uma menina de 7 anos de idade a programar um robô sozinha. Fiquei muito impressionado e tenho a certeza que isto é apenas o começo.

A sua empresa acabou de assinar um protocolo com o Governo Regional para assegurar que esta parceria seja reforçada no futuro, com novas iniciativas e projectos. Quais as suas expectativas para esta parceria com a Madeira, através da Direcção Regional da Inovação, Valorização e Empreendedorismo (DRIVE)?

O DRIVE tem pessoas com muito talento, que têm uma profunda preocupação com o futuro da Madeira e têm as competências para fazer mudanças positivas. Estou confiante que vão dar todo o apoio necessário para que projecto seja um enorme sucesso. Agora, a ‘chave’ passa por assegurar que não ficamos longe do objectivo. O DRIVE precisa ter os recursos e pessoas alocadas ao serviço, para que possamos construir as estruturas que irão criar os futuros inovadores da Madeira.

A Madeira e o Porto Santo são duas pequenas ilhas no Atlântico, mas parece que agora há uma estratégia para tornar a Região conhecida no resto do mundo como uma excelente localização para criar tecnologia. Acredita que essa é uma estratégia realista?

O factor mais importante para tornar qualquer local um centro tecnológico é a componente humana. É preciso um enorme investimento de tempo e recursos para educar uma geração capaz de mudar, não só a Madeira mas todo o Mundo. Portanto, a estratégia é realista e irá ter sucesso se nos mantivermos neste percurso e tivermos a paciência para tomar as melhores decisões para o longo prazo.

Sabemos que a vossa empresa tem ligações a outras grandes empresas tecnológicas. Isso pode significar que o caminho para as futuras gerações e os jovens trabalharem nesta área pode ser encurtado?

A Madeira é uma pequena ilha, como uma jóia no Atlântico. Isso é tanto a vossa força como o vosso desafio, contudo entramos num mundo onde as distâncias contam cada vez menos. Com a Internet, muitas empresas tecnológicas podem funcionar a partir de qualquer parte do mundo. O que está a crescer é a importância da qualidade de vida, algo que a Madeira assegura. Quem não gostaria de viver num sítio tão bonito? Com uma força altamente qualificada, a Madeira tem uma localização única para atrair investimento tecnológicos nas próximas décadas. Precisamos usar estes projectos educacionais para mostrar ao mundo que a Madeira está pronta para o desafio.

A Humanidade está ligada à robótica há décadas. Como será o futuro?

A robótica irá mudar o nosso mundo da mesma forma que a revolução agrícola ou a industrial . Os robôs são uma ferramenta de economia do trabalho para tornar melhores e mais seguras as nossas vidas. Vão reduzir muito o custo dos bens e alimentos manufacturados. No entanto, como qualquer equipamento eles vão naturalmente substituir alguns trabalhadores. Essa é a própria natureza do progresso humano. Isso não nos deve assustar, mas servir como um aviso. Trabalhadores baratos e com baixas qualificações não sustentarão qualquer tipo de economia na segunda metade do Século XXI. Mas uma força laboral que seja altamente qualificada, criativa, capaz de se adaptar e raciocinar, nunca enfrentará a absolescência. Isso vale mais do que qualquer recurso natural.

Quais são os principais aspectos que temos de estar cientes sobre a robótica, sejam elas as qualidades, sejam os defeitos (se é que existem)?

A melhor qualidade da robótica é que, efectivamente, ela irá transformar as nossas vidas para melhor e torná-las mais seguras. Muitos empregos perigosos e aborrecidos podem agora ser feitos por máquinas. Nós já estamos cercados por robôs. Os nossos micro-ondas utilizam micro controlos para gerir o calor, o tempo, a luz e a rotação da comida. Os nossos carros têm auxiliares de estacionamento para evitar que tenhamos acidentes. Mesmo os aviões a aterrar todos os dias na vossa linda ilha têm programas automatizados de assistência à aterragem para os fazer de forma segura. Os robôs são nossos serventes, existem para nos ajudar. A partir do momento que tenhamos essa atitude, poderemos começar a olhá-los de uma forma positiva. Durante alguns grandes avanços tecnológicos anteriores a história mostra que nem todas as comunidades se adaptaram. Alguns escolheram ficar no passado, e desapareceram. Madeira e, de resto, Portugal precisam escolher se adaptam-se e desenvolvem-se com a nova realidade. O povo português tem uma grande história de coragem, criatividade e inovação. Este é o início do vosso próximo capítulo.