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DIÁRIO: Análise da semana
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A revisão a fazer é cumprir a Constituição

A Acção psicológica que falhou com nativos do interior africano resulta hoje em Portugal
Data: 19-07-2009 Comentários: 3

Foi de 'chorar às gargalhadas' telever os vários canais nacionais de televisão entupidos toda a santa quinta-feira com o chefe da Quinta Vigia no centro de fóruns, debates, entrevistas, reacções, análises, abertura de telejornais. Ao lado, o mesmo alarido nas rádios e nos diários, semanários, blogues e twitter. Portugal a arder de raiva.

Que se teria passado na Madeira? As ilhas tinham afundado? Os degradados bairros suburbanos apedrejaram e expulsaram outra vez os agentes policiais? O desemprego chegou ao patamar do dramático? Os salários de miséria alastram? Os madeirenses devolvem as casas ao banco? A pobreza atinge limites extremos? O governo regional fez trapalhada com o vinho seco? O governo continua a cometer uma ilegalidade por dia, no jornal com preço de capa que é distribuído gratuitamente, esbanjando dinheiro público? Mais embrulhadas com o novo estádio? O chefe da Quinta fez outra excursão a Bruxelas com direito a assessoria, motorista de luxo, hotel à altura e ajudas de custos, tudo pago pelo povo?

Nada disso. O que estava em discussão era uma proposta jardineira para meter na Constituição o impedimento do comunismo em Portugal. Perante a hipótese muito séria de tal alvitre ser aprovado por dois terços em S. Bento, foi o justo juízo naquela Lisboa.

O país está gagá ou então foi de cavalo para burro.

O chefe da Quinta aprendeu na tropa umas noções de acção sócio-psicológica para aplicar na Guerra Colonial. Em pleno mato, umas garrafas de vinho, caixas de bolachas e pacotes de cigarros aos nativos, mais uns cadernos e rebuçados aos miúdos, uns panfletos com desenhos a mostrar o 'diabo comunista' que queria matar os cristãos - e era assim que as nossas tropas procuravam o apoio popular e o isolamento dos guerrilheiros. Resultado: não funcionou. Perdemos a guerra nas três frentes.

Porque não foi mobilizado, o actual chefe ilhéu guardou para si essas noções de acção psicológica. Às quais juntou umas ideias básicas de "O Príncipe": o líder deve fazer-se mais temido do que amado, forreta e não gastador para o povo sobrevalorizar as 'dádivas', implacável com o prevaricador, enfim. O espantoso é que se a táctica falhou em África, sendo então real o comunismo em alguns movimentos de libertação, eis que, 40 anos depois, a táctica continua a vingar na Madeira (com luzes, água, viadutos e inimigo externo) e agora junto da esclarecida classe política lisboeta, quem diria!

E se a douta classe política lisboeta passasse anos a ouvir o chefe da Quinta mandar a populaça fazer justiça pelas próprias mãos? E se o visse vexar adversários usando diariamente labéus do mais insultuoso que há? Vilipendiar colegas que lhe escapam da linha? Condenar colaboradores para lhes colar culpas que são suas, dele? Difamar jornalistas nos conchavos partidários, agredindo a inteligência de social-democratas sinceros e arrancando palmas aos bestiagas e cafres carreiristas do costume?

A digna classe política da capital é capaz de não saber parte disto. Mas o Representante da República sabe. Pena é reagir apenas quando se sente "profundamente magoado" pela "ingratidão" do PSD-M, como no caso da famigerada proposta de revisão constitucional.

Sejamos objectivos: o cargo de ministro da República é uma aberração. Uma infelicidade do sistema que trouxe a consequência perversa de proporcionar ao poder regional um espantalho para usar quando necessário distrair o povo dos problemas. Lino Miguel e Rodrigues Consolado aceitaram as regras do jogo e não se queixaram. De facto, não era pessoal. Nem é. Só que Monteiro Diniz esperava ser considerado pela colaboração que vinha oferecendo à maioria local. Daí dizer que vai rever a sua forma de actuar no desempenho das suas funções. Não estava a fazer bem?

Já que vem a propósito, e dada a responsabilidade do inquilino de São Lourenço na defesa da Constituição, é legítimo tocar em algumas dúvidas. Dúvidas sobre se o princípio constitucional da igualdade estará em vigor na Madeira; se o direito à integridade moral e física é respeitado; se se pratica o "direito de acesso, em condições de igualdade e liberdade, aos cargos públicos"; se há uma "política de pleno emprego" e "igualdade de oportunidades" para que todos tenham "direito ao trabalho"; se há respeito pelo "direito de oposição"; se os deputados obtêm "resposta em prazo razoável" às perguntas que colocam ao governo regional; se há liberdade de expressão e informação "sem impedimentos nem discriminações"; se estão asseguradas "a liberdade e a independência dos órgãos de comunicação social perante o poder político e o poder económico"; se o tratamento e o apoio às empresas de comunicação social vigoram "de forma não discriminatória"; se na Madeira campeia a "possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião".

Já que se trata do Representante do PR, que é o garante do "regular funcionamento das instituições democráticas", recordemos ainda que o governo regional não comparece na Assembleia Legislativa (ALM) quando convocado. Faz é o contrário, isto é, convoca o Parlamento para debates, como agora o caso da revisão, quarta-feira. Não é a ALM que fiscaliza o governo, é o governo que fiscaliza a ALM.

O Representante não se tem limitado a deixar passar e a vetar decretos, já que, segundo diz, mantém o PR informado "de tudo o que se passa de relevante nesta Região". O que levanta outra questão: se está bem informado, como é que o PR vem à Madeira elogiar o 'estado de sítio' em vigor? Como é que o PR não reage ao esquema montado pelo profissional da política instalado na Quinta Vigia gizado para fechar um jornal centenário, quando se manifestou ruidosamente no caso Sócrates-TVI? O Presidente da República, até pelas preocupações sobre o que se passa na Madeira que a organização WAN lhe fez chegar, e pela queixa na posse Autoridade da Concorrência, tem de saber que há uma parte de Portugal onde se asfixia o jornalismo plural com requintes que nem Salazar - ditador que teve de conviver com o 'Comércio do Funchal' e o 'Jornal do Fundão', por exemplo. Há de facto uma parcela muito portuguesa onde a Constituição não está integralmente em vigor. Mas dor de dentes na boca dos outros...

Desemprego, pobreza, imprensa condicionada, partidos de oposição privados de expressão na 'casa da Democracia', nada disso se compara à importância da ideia derrotada à partida de ilegalizar o PCP; nem se compara à "ingratidão" do PSD-M com o Sr. Representante do Presidente. Como dizia há dias um leitor do DIÁRIO na página de comentários 'on line', mais palavra menos palavra: uma pessoa sem emprego, com dívidas, com filhos carentes de comer... e o país a discutir quem deve mandar no Farol de S. Jorge, se Jardim, se Sócrates.

Impertinências
Mudança nos comportamentos violentos

Como se explica esta criminalidade violenta na Região?
Tem havido, há alguns a esta parte, mudanças socioculturais que têm tido reflexo na adopção de comportamentos violentos de uma franja da comunidade. Mas não podemos olhar estes casos como um todo, mas sim como episódios circunstanciais, senão corremos o risco de deixar de conhecer a comunidade que existimos para servir.

As forças policiais estão preparadas para responder?
Sim. As forças policiais, nomeadamente a PSP, estão a apostar cada vez mais na cientificação como forma de resposta a estas novas solicitações. Estamos preparados para lidar com cenários cada vez mais críticos, porque sabemos que não podemos enfrentar os desafios do presente e do futuro com os métodos do passado.

Em termos legislativos tem existido essa evolução?
Penso que sim e de uma forma ponderada. Tem de existir frieza legislativa, porque não podemos andar a reboque das situações episódicas que acontecem, caso contrário iríamos descaracterizar a nossa sociedade e perder o contacto com ela. Mais uma vez, não podemos olhar para estes casos como um todo, mas como situações particulares.

Frases comentadas

Foram os jornalistas que disseram que isto [proibição do comunismo] era com o PCP
Jardim, Presidente do GR
Jardim referia-se ao PP. Ou por outra: as trapalhadas do chefe local têm final previsível.

A proposta de Jardim não é nova e terá o mesmo destino que as outras: o caixote do lixo.
Edgar Silva, líder CDU-M
Nada mais certo. Mas, entretanto, a manobra de diversão deu o resultado pretendido. É o país que temos.

Nenhum madeirense se deve excluir e preparar o Outono de 2011.
Jardim na feira do gado
O chefe, que tem sido acusado de não governar o presente, quer governar o futuro, apesar de dizer que vai sair da Quinta.

Lamentavelmente, não foi possível chegar a acordo com o Savoy
Adolfo Freitas, Sind. Hotelaria
Lamentavelmente, Zé trabalhador não vai à revisão constitucional...

Aproveitar o vento para reivindicar mais autonomia para a Madeira
Reportagem diário
Jardim falava para gente da EEM e os seus autarcas. Ah, e jornais e tv.

TAP lança grande campanha para a Madeira e o Porto Santo
Notícia DN
Se os porto-santenses ficassem à espera das ideias do Funchal...

Berbicacho por resolver
Que papel para os órgãos locais na escolha de candidatos?
Rui Fernandes - Resp. lista A. Municipal C. Lobos
Quem faz as listas tem uma obrigação natural de ouvir as estruturas que representam, no nosso caso, o PSD nas diferentes freguesias, pois espelham o sentir de cada uma delas. É importante essencialmente nas autárquicas. Quem vive nas freguesias é quem melhor as representa. Foi o que fiz com a Assembleia Municipal.

Gil França - PS de Santa Cruz
Devem ter um papel de primordial importância, na medida em que são os que de mais próximo lidam com as pessoas. Tais estruturas são as melhor colocadas para escolherem os candidatos e até os programas. Mas devem ser capazes de se abrirem à 'sociedade civil', aos não filiados.

Roberto Almada - Dirigente do BE
Devem ter um papel preponderante na decisão. É assim, por exemplo, que acontece no BE, quando os plenários concelhios decidem os candidatos às Câmaras, às Juntas e às Assembleias Municipais. Mesmo quando temos poucos aderentes, reunimos com eles e em conjunto decidimos.

José Manuel Rodrigues - Dirigente do CDS/PP
No PP respeitamos integralmente a opinião e as escolhas das concelhias, em relação aos candidatos que apresentamos, quer para as Juntas de Freguesia, quer para as Assembleias Municipais, quer para as Câmaras Municipais.

Alertas

Estreia de Ronaldo
A aguardada estreia de Cristiano Ronaldo ao serviço do Real Madrid está aprazada para amanhã, na Irlanda, diante do modesto Shamrock Rovers. O recinto dos irlandeses, com capacidade para três mil pessoas, há muito que está esgotado e os preços dos bilhetes atingiram quantias exorbitantes.

Abandono de animais
O abandono e maus tratos a animais parece uma saga sem fim à vista e, pior ainda, sem solução. Para quando medidas e união de esforços no sentido de fazer cumprir a lei em vigor, e, mais do que isso, ajudar a mudar mentalidades. Os bichos não votam, mas merecem.

Revisão da Constituição
Na quarta-feira Jardim vai ao Parlamento falar de revisão da Constituição. A oposição de esquerda e o PND não querem contribuir para esse 'peditório' e não vão. Argumentam haver outras prioridades. Vamos a ver quem vai ganhar a batalha, essencialmente por espaço na comunicação social.

Luís Calisto

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Comentários

 

Andesman : Actualizado: 20-07-2009 19:56:26
bilhardice: Ó " Calistro" "inflitraste-te" e marcaste como nos velhos tempos ao serviço do "Calhau"!

Anónimo : Actualizado: 19-07-2009 19:01:04
O texto que encabeça a "Analise da Semana" aqui, e, a sondagem vitoriosa apresentada em simultâneo nesta mesma edição do DN...: ...Não levará os Leitores a gargalhar do mesmo ante tamanho e sempre incontido rabiscar denigrativo sem razão e sem lugar, assim, vergastado pela dita?

Anónimo : Actualizado: 19-07-2009 16:19:52
impertinências Mudança nos comportamentos violentos: ...há quem ainda persista em opinar, comodamente instalado, da poltrona do gabinete para os jornais ou dos estúdios da rádio/tv com um discurso erudito mas que na prática "vale zero", pois em nada, mas rigorosamente em nada, resolve o problema do aumento da criminalidade.

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