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Brincadeira à beira do precipício termina em tragédia no Caniçal

Jovem de 22 anos sofreu uma queda livre de 120 metros até ao mar, numa zona sem vedação, no miradouro da Ponta de São Lourenço
O cordel do papagaio de papel ter-se-á desprendido do apoio, desequilibrando a jovem, que estaria de costas para a falésia.
Data: 06-09-2007 

Uma jovem de 22 anos morreu ontem, pelas 9h30, após ter-se desequilibrado no miradouro norte da Ponta de São Lourenço, numa zona sem vedação. A rapariga estava a brincar com um papagaio de papel e caiu por um precipício com uma altura superior a 120 metros.

Antes da tragédia, o ambiente que se vivia na manhã de ontem, naquele local da freguesia do Caniçal, era de festa e de convívio familiar. As dezenas de turistas que diariamente afluem àquele ponto de atracção misturavam-se com outras dezenas de curiosos que ali se deslocaram para acompanhar uma das etapas mais estimulantes da regata da Volta à Madeira em Canoa - a travessia Sul-Norte.

No local estava Nadine Sousa, estudante numa universidade fora da Região e residente nos Piornais (São Martinho), acompanhada por uma colega de escola. Algumas das pessoas recordam-se de ver a jovem de 22 anos a levantar um papagaio de papel, numa zona intermédia entre os dois miradouros existentes na costa norte da Ponta de São Lourenço. No instante seguinte, ouviram-se gritos de pessoas que garantiam ter visto um corpo em queda livre pela falésia. A jovem caiu mais de 100 metros, até ficar prostrada de costas no calhau. Segundo o DIÁRIO apurou, o cordel que sustentava o papagaio ter-se-á desprendido do apoio, desequilibrando Nadine, que estaria de costas para a falésia.

Seguiu-se um momento de enorme consternação. Algumas pessoas entraram em choque e tiveram de receber assistência dos Bombeiros Municipais de Machico. O resgate da jovem universitária teve de ser feito pelo mar, visto que, ali, a orografia é caracterizada por ravinas e penhascos rochosos de grande altitude.

Uma equipa de resgate do SANAS, deslocada num bote, alcançou o cadáver pouco depois. Após o resgate, as autoridades fizeram o transbordo do corpo para a lancha salva-vidas 'S. Jesus das Chagas', desembarcando-o na marina da Quinta do Lorde, pouco antes do meio-dia.

O Ministério Público abriu um inquérito e não deverá abdicar da autópsia, cujo relatório certificará se a morte teve causa acidental ou se resultou de doença súbita.

Certo é que, no local onde a jovem caiu, há muita gravilha resultante da erosão do solo. A própria escarpa acusa os sinais do tempo: apresenta fissuras que ameaçam fazer ruir a última fracção do manto rochoso.

Um sinal de perigo que alertava para a "arriba instável" era a única advertência visível no local. De resto, à excepção dos dois miradouros da costa norte da Ponta de São Lourenço, toda a restante área está desprovida de qualquer protecção, não tem trilhos assinalados, nem está delimitada no último terço do terreno.

Com caminho livre, os forasteiros exploram o terreno até ao extremo da ravina, colocando-se em bicos de pés para alcançar, com o olhar, o fundo da arriba. Ontem, tal como em muitas outras vezes, o terreno à beira do precipício onde Nadine Sousa caiu para a morte era o local predilecto para os turistas posarem para as fotografias.

Ricardo Duarte Freitas

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