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O presidente da Associação de Bandas Filarmónicas da Madeira fala sobre o futuro das filarmónicas na RAM.
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Armando Santos, presidente da ABFRAM - Há filarmónicas que praticam "concorrência desleal"
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O responsável diz que o Encontro de Bandas deve ser antes, e não após o Verão
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"Há bandas que fazem o arraial por menos de metade do que outra banda faz".
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Data: 20-10-2009 Comentários: 1
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No entender do presidente da Associação de Bandas Filarmónicas da Madeira (ABFRAM), alterar a data da realização do Encontro Regional de Bandas Filarmónicas da Madeira para antes, e não após o Verão, seria uma mudança que só traria benefícios. Armando Santos vê também com bons olhos que este autêntico festival de música possa deixar de ter realização permanente na Ribeira Brava, para passar a ocorrer em sistema rotatividade por outros concelhos da ilha.
Sobre o futuro destas bandas 'tradicionais', o representante da classe denuncia a existência de concorrência desleal de algumas bandas e defende a necessidade de ser adoptada uma nova estratégia, que passe essencialmente pela simbiose da música filarmónica com outras artes.
À margem do XXVI Encontro de Bandas Filarmónicas, realizado domingo na Ribeira Brava, o DIÁRIO entrevistou o músico e também presidente da ABFRAM, Armando Santos.
DN: Que importância atribui a estes encontros anuais?
Armando Santos (AS): "É sempre importante quando as bandas se juntam para fazer música. É dos poucos momentos em que os músicos vêm ouvir músicos. Embora a maior parte das bandas faça concertos durante o ano, quando vamos ver as plateias, são maioritariamente compostas por familiares e simpatizantes. Pelo menos, neste dia, também os músicos e maestros têm oportunidade de ver e ouvir o que as outras bandas estão a fazer".
DN: Que futuro para as bandas filarmónicas?
AS: "A média de idade das bandas anda à volta dos 20 a 25 anos, pelo que as bandas têm conseguido e tem tido a capacidade de se renovar na classe jovem, se bem que hoje em dia os jovens já tem outro tipo de ofertas, desde a televisão à Internet, entre outros.
Portanto, as bandas têm de partir para outras estratégias, como criar desde cedo os grupos de música de câmara e pôr os jovens a tocarem desde início. Antigamente vínhamos para a banda, onde havia um tempo onde só aprendíamos a ler e só depois é que tocávamos. Hoje em dia, começa-se a tocar e só depois a ler. E tem de ser assim. Começar a tocar logo de início, senão os jovens começam a se desinteressar.
Daí que o futuro seja um pouco incerto, embora hoje em dia as bandas já sejam olhadas de forma diferente. Antigamente, as bandas eram um grupo de músicos que iam sobretudo animar os arraiais. Actualmente, as bandas já têm uma qualidade muito aceitável, um pouco também por causa da oferta formativa que tem, como seja o Conservatório da Madeira , o Gabinete Coordenador de Educação Artística e até as escolas de música. Tal proporcionou que as bandas já tenham músicos formados e até licenciados a tocar. Portanto, a exigência dos próprios músicos já é outra, que não somente tocar qualquer coisa que sirva para animar. E tanto assim é que já temos muito repertório feito exclusivamente para banda, o que dá outro interesse aos músicos, mas também dá outra importância à parte artística. E o futuro das bandas também passa por aí. Não só pelo nível de repertório e de qualidade, mas também pela simbiose com outras artes".
DN: Que artes?
AS: "Já há bandas a fazerem concertos conjuntamente com a dança, com grupos de rock, entre outros. Daí que as bandas que queiram se manter em alta e continuar a terem públicos para ouvir os seus concertos tem de começar a fazer a simbiose entre as várias artes, senão vai começar a haver um cansaço entre o público e a banda, e é cada vez mais importante que a banda comece a interagir com o seu público. Não é somente a banda em cima do palco e o público na plateia, senão vai ser mais do mesmo e as pessoas vão acabar por se fartar e ir para outros sítios. Penso que o futuro também passa um pouco por aí".
DN: Além do prazer de tocar, compensa ser músico de uma filarmónica?
AS: "Compensar não compensa. No entanto, isto tem duas vertentes.
Primeiro, está a vertente social, e essa compensa, porque as bandas são uma escola de vida. Aprendemos um pouco de tudo e criamos amizades e camaradagens que muitas vezes ficam para o resto da vida. Aliás, até temos vários exemplos de casamentos dentro da banda e de casamentos entre músicos de bandas diferentes.
Agora, a nível económico é claro que não compensa. Cada vez mais a crise é desculpa para haver menos dinheiro. Os músicos para além de fazer música têm de fazer um esforço para conseguir manter as bandas financeiramente de pé. Então ao nível dos arraiais cada vez está mais por baixo, com a concorrência desleal que algumas bandas estão a fazer".
DN: De que forma ocorre essa concorrência desleal?
AS: "A Madeira tem 17 bandas. O festeiro que quer fazer o arraial claro que vai pelo melhor preço, só que há bandas que fazem o arraial por menos de metade do que outra banda faz. Baixam o preço só para fazer o serviço.
O dinheiro que levam muitas vezes não dá para cobrir os custos.
Há bandas que perdem muito dinheiro com está prática desleal, mas como têm outras fontes de rendimento, não se importam e não têm qualquer problema em fazer isso. O que é mau.
Ao nível financeiro, há bandas estão a regredir há uns 20 ou 30 anos. Vale que ao nível da camaradagem ainda compensa. Estamos aqui pelo 'amor à camisola' e pelas amizades que nós criamos pela ilha toda".
DN: Depois de um Verão cheio de arraiais, esta é a melhor altura do ano para se fazer o Encontro de Bandas?
AS: "Esta não é a melhor época para se fazer este Encontro de Bandas. Aliás, nós [ABFRAM] com a entidade organizadora [DRAC] já estamos a ponderar em mudar a data do Encontro de Bandas. Acho que a altura ideal seria antes do Verão, porque nesta altura já se assiste a um certo cansaço, porque foram mais de três meses a fazer arraiais, e chega a esta altura a qualidade não é a melhor.
Porque isto é como no futebol, há uma preparação contínua e como nós também trabalhamos com os músculos, chega a esta altura já estão cansados.
Daí que estou convencido que a altura ideal seria antes e não após o Verão. Penso que entre a Páscoa e antes de Junho seria a altura ideal".
Rotatividade?
À margem do XXVI Encontro de Bandas Filarmónicas, também questionámos o músico e também presidente da ABFRAM, Armando Santos, sobre o espaço escolhido para a realização do evento: não tendo a Ribeira Brava a tradição das filarmónicas como noutros locais da Ilha, faz sentido realizar-se ali o Encontro de Bandas?
"Isso é uma pergunta muito sensível", começou por dizer Armando Santos. "Já ponderámos, já pensámos e já reflectimos sobre isso. Aliás, quando comecei na direcção da ABFRAM, uma das ideias era ver até que ponto seria possível essa mudança. Neste momento, essa mudança afigura-se muito difícil, sobretudo por questões económicas".
E passou a explicar: "Os custos deste evento são suportados entre a Direcção Regional dos Assuntos Culturais e a Câmara Municipal da Ribeira Brava. A minha questão é saber se haverá alguma outra câmara que esteja disposta a investir neste Encontro de Bandas o mesmo que a Câmara da Ribeira Brava investe. O que nos leva a outra questão, porque há muita gente que defende a rotatividade pelos concelhos, só que poderia haver algum concelho que não quisesse organizar". E concretiza: "Eu, pessoalmente, não me importo que continue a ser na Ribeira Brava. O mais importante é acontecer. O sítio é o menos importante, se bem que são já 26 anos, pelo que também já há raízes que fazem deste encontro um cartaz turístico da Ribeira Brava. Portanto não faz mal nenhum, embora também visse com bons olhos uma certa rotatividade".
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Orlando Drumond
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Comentários
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Anónimo :
Actualizado: 20-10-2009 15:14:22
Muito bem: Muito bem dito Sr. Armando Santos, mas não é so a nível de preços de arraiais que as bandas são desleais, também tentam ir buscar músicos a outras filarmonicas, desviando-os da sua banda mãe.
Concordo plenamente co tudo o que disse.
Parabens e continuações de um bom trabalho
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