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Carlos J. Pereira

(-) 500 milhões: destruam estas folkways!
...continuar a construir para nenhures, numa insólita opção de investimento, contrária aos interesses da Madeira.
Data: 24-10-2008 Comentários: 0

As crianças madeirenses estão cercadas de folkways no sentido errado. Esta frase não é só minha, mas é uma adaptação de um texto de apoio ao estudo sobre a "Estrutura da Cultura".

Há neste pensamento, onde fui tentado a uma extrapolação grosseira, mas útil e relevante, algo de verdadeiramente inquietante. As folkways são simplesmente as maneiras habituais de um grupo fazer as coisas. Aqui reside a questão de fundo: na Madeira existem grupos, preponderantes e dominantes, que estabeleceram formas de actuar em que violam princípios básicos de tolerância, competência, respeito e honestidade. Já que as nossas crianças vêem constantemente, e durante mais de 30 anos, estas maneiras atípicas de "fazer coisas", estas tornaram-se as únicas reais, transformando-se em folkways. O problema é, por isso, muito sério. Ignorar este efeito no devir da nossa sociedade é também contribuir para a consolidação de uma cultura distante dos padrões que norteiam o nosso "código genético". Diria até, sem o risco de parecer exagerado, que, a continuar tudo como está, estaremos, em pouco tempo, muito próximos dos kurtachi, uma tribo das ilhas Salomão, no Pacífico Sul, onde é normal defecar em público e alimentar-se privadamente. Esbanjar 625 milhões de euros em pouco mais de 6 anos, mais de 100 milhões por ano, o mesmo que a criação de 100 bancos, do tipo da caixa de crédito agrícola, através das sociedades de desenvolvimento, em investimentos cuja utilidade é discutível e onde a rentabilidade é forçada, tornou-se numa banalidade. Uma prática comum, uma perigosa folkway.

A dimensão deste escândalo governativo é mais fácil de perceber quando se analisa os seus parcos resultados: afastou o investimento privado, não criou emprego e conduziu a esquemas de pagamento da exploração dos investimentos à custa do Orçamento Regional, obrigando-nos a pagar a "loucura" duas vezes. Mas não foi só. Hipotecou-se, em nome dos madeirenses, quase 1 000 milhões de euros na Via Expresso e outros 1 000 milhões na via litoral. Tudo sem concurso, sem bom senso e absolutamente exagerado. Agora discute-se mais 1.000 milhões de hipoteca para consolidar o projecto da Via Madeira e assim continuar a construir para nenhures, numa insólita opção de investimento, contrária aos interesses da Madeira.

Antes disso, inaugurou-se outra prática, agora também comum, uma outra folkway: a mentira e a fraude descarada e sem vergonha para obter dividendos políticos. Começou com as negociações com Bruxelas para os fundos europeus. O Governo do PSD não esteve com "meias tintas" e cometeu um dos maiores crimes governativos que, estou certo, ficará para a história da Madeira contemporânea. Mentiu, sem dó nem piedade, sobre o nível de desenvolvimento da Madeira e sozinho, mas com um regozijo quase demente, retirou aos madeirenses 500 milhões de euros e a possibilidade de construir, com mais confiança, o futuro dos nossos filhos. As nossas crianças olham, com desconfiança, esta aparente normalidade. Mas a sua persistência fá-las acreditar que não existe outro caminho. Na realidade, para o PSD não existe: em 2005, sentou-se à mesa das negociações, mais uma vez sozinho, com Lisboa, e voltou a enganar os madeirenses! Tornou a usar a prática do bode expiatório externo, num registo que tem tanto de trágico como de inadmissível e voltou a esconder a realidade. Assim, não quis confessar a sua mentira e anulou o seu único trunfo para uma Lei das Finanças Regionais compatível com o desenvolvimento real e não o aparente, que deu tanto jeito à sua perpetuação no poder. Pior ainda, ultimamente mantêm uma indisfarçável persistência na atitude contra as nossas crianças: não têm ideias, soluções ou medidas para ajudar as famílias e as empresas, persistem nas violações à lei e insistem nos monopólios perversos para a comunidade. Já não é pontual, é estruturante e sistemático. Uma folkway. Deus nos livre que estas folkways atinjam as nossas crianças.


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