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Francisco Leite Monteiro
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As eleições e os fantasmas
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Data: 06-10-2009 Comentários: 3
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O Diário de domingo, em OPINIÃO, publica o artigo assinado por Nelson Veríssimo "Défice de participação", alertando para os elevados níveis de abstenção verificados na eleição de há uma semana que, como refere, "deveria merecer análise cuidada por parte dos políticos". Como salienta, a abstenção que no território nacional atingiu os 39,4%, foi de mais seis pontos percentuais, na RAM.
Também a propósito destas eleições, num propósito de entender-se o desencantamento generalizado do eleitorado, no meu artigo publicado no mesmo espaço em 2 de Outubro, servi-me de uma leitura simples que a exactidão dos números permite, deixando para os políticos as leituras mais ou menos habilidosas que são capazes de urdir.
Um outro aspecto saltou-me entretanto à vista e a que Nelson Veríssimo também não fez menção, que foi o estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a que toda a imprensa se referiu, nos últimos dias de Setembro e que vem acrescentar um novo elemento: os "eleitores-fantasma", os mortos, desaparecidos, emigrantes que ainda constam dos cadernos eleitorais. Segundo o estudo, existem em Portugal 930 mil "eleitores-fantasma", 10% dos inscritos, percentagem que na Madeira deverá ser bastante mais elevada. De qualquer modo, sem especular, tomando o valor base nacional e, mercê de um cálculo aritmético muito simples, abatendo ao número oficial de eleitores inscritos, os "fantasmas", a abstenção em todo o território nacional, situar-se-ia a níveis mais aceitáveis: cerca de 35%. Tomados esses valores, refeitos os cálculos, tal como Nelson Veríssimo os apresentou, a abstenção, a nível nacional, equivaleria a 1,37 vezes os votos do partido que obteve o maior resultado - o PS - e a nível da RAM, equivaleria a 1,35 vezes os votos do partido que obteve o maior resultado - o PSD - em vez de 1,78 e 1,73, respectivamente. Tomando esses mesmos indicadores sem "eleitores fantasma", não deixa de ser curioso constatar que, a nível nacional apenas votaram PS, 25 em cada 100 eleitores, enquanto na Madeira votaram PSD, mais de 30 em cada 100 eleitores.
Já faltam poucos dias para as eleições autárquicas e novas análises dos resultados surgirão, mas não será ainda desta vez que nos livramos dessa figura espectral que em parte desvirtua a sua inteira verdade. E, oxalá os poderes públicos responsáveis procedam, oportunamente, à expurgação de "fantasmas" dos cadernos eleitorais, para eleições mais realistas, em anos futuros.
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Comentários
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fleitemonteiro » Francisco Leite Monteiro :
Actualizado: 06-10-2009 21:45:34
DESCONTAR FANTASMAS: DESCONTAR FANTASMAS: Se se abatesse ao número de eleitores inscritos na RAM (252.099) os tais 107.000 "eleitores fantasma" que refere o leitor “Anónimo”, restariam 145.099. Ora, se votaram nas eleições legislativas de 27 de Setembro, 137.446, o mesmo seria dizer que apenas 7.603 eleitores não teriam votado. Tratar-se-ia de uma abstenção que no máximo não atingiria os 5%, uma taxa, exageradamente baixa, que nem nos países onde o voto é obrigatório, se verifica. Que “eleitores fantasma” existem, embora seja difícil de contabilizar com rigor, como refere “NV”, julgo que ninguém duvida, agora 107.000 como refere o leitor “Anónimo” – tal como teria sido citado na RTPMad – parece duvidoso e um tanto empolado. Com vista a clarificar a situação, após ler o comentário, de imediato entrei em contacto com o ICS, estando a aguardar informação que permita o esclarecimento das dúvidas que se levantam. Voltarei ao assunto.
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Nelson Veríssimo :
Actualizado: 06-10-2009 14:40:01
Contar fantasmas: O cálculo da abstenção decorre da subtracção entre o número oficial de inscritos e o de votantes. Embora se reconheça a existência de eleitores-fantasmas, o seu número não pode ser tomado em conta, por ser impossível contabilizá-lo com rigor e a referência objectiva, nesta matéria, ser, com efeito, os números dos cadernos eleitorais.
A "limpeza" dos cadernos eleitorais baixaria a abstenção, mas também retiraria um deputado à Madeira (conforme referem os autores do estudo citado por FLM) e outras regalias às autarquias.
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Anónimo :
Actualizado: 06-10-2009 14:37:27
ELEITORES FANTASMAS: Tanta confusão para quê? Se são eleitores fantasmas não servem a partido nenhum, simplesmente contam para ABSTENÇÂO ou não será assim. Ouvi um dia deste o Sr. M. Cunha na RTPMad. a dizer que havia 107.000(?) eleitores fantasmas na Ilha da Madeira, não será um número exagerado se levarmos em conta a população actual da Madeira? Senão vejamos; no meu tempo de escola aprendi que a população da Ilha era cerca de 280 mil habitantes, isto por volta de 1978. Actualmente a população da ilha é de aproximadamente 245 mil habitantes, a maioria de nacionalidade portuguesa. O FUNCHAL conta com cerca de metade dos habitantes da ilha (102 MIL HABITANTES) e mais de metade da população concentra-se em apenas 7% da área da ilha, em especial na costa sul. Havendo assim uma diferença de cerca de 35 mil habitantes suponho que falecidos e emigrados, que para os 107 mil que o Sr M.Cunha falou, deve haver muita gente por ai enterrada, desaparecida ou emigrada que não se sabe o paradeiro (?) Os 107 mil é mais que os habitantes do Funchal (102 mil). Acho que as vezes falam de cor e gostam sempre de exagerar, jornalistas e tipos do contra, já sabemos o que são!
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