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Câmara recusa-se a ampliar o canil

AumenTo do canil seria "conivente" com "a mentalidade terceiro-mundista" de abandonar caes
Data: 24-03-2008 Comentários: 0

A média de ocupação do canil municipal ronda anualmente os 150 cães. A infra-estrutura voltou este mês a esgotar a sua capacidade máxima, mas a Câmara Municipal do Funchal (CMF) diz que não há qualquer hipótese de o recinto ser ampliado.

Junto ao Parque Sucata do Vasco Gil, o canil da autarquia funchalense é um lar para cães das mais variadas raças. Todos têm um nome e uma história marcada pela rejeição de quem um dias os adoptou.

Cabe a Abel Carreira alimentá-los e levá-los a passear em grupos de três. "São cães muito dóceis e já me habituei a eles", afirma.

O tratador afeiçoou-se aos cães condenados às jaulas do canil da CMF. Todavia, apesar de gostar muito da profissão que iniciou há cinco anos, ainda tem dificuldade em compreender as razões que levam as pessoas a rejeitarem os seus animais de estimação.

É a partir de Maio que o número de abandonos tende a aumentar no Funchal. Costa Neves, vereador com o pelouro do Ambiente na CMF, acredita que o fenómeno tem vindo a decrescer, embora o canil municipal continue sobrelotado. "Já não existem matilhas na cidade", afirma.

Para a diminuição nos abandonos, terão contribuído, no entender do vereador, as campanhas de sensibilização e de esterilização dos animais promovidas em parceria com a Sociedade Protectora dos Animais Domésticos (SPAD). A autarquia pretende manter a aposta nas acções de sensibilização. Fora de questão está, de acordo com Costa Neves, a possibilidade de alargamento do canil municipal. "Não vamos aumentar o canil, até porque isso seria alimentar e ser conivente com o hábito terceiro-mundista de as pessoas abandonarem os seus animais", argumenta o vereador.

Até ao momento, a CMF não aplicou nenhuma contra-ordenação relacionada com o abandono dos animais. Costa Neves diz que é difícil identificar os responsáveis. O processo será mais fácil com a introdução dos 'chips' de identificação, mas o método é recente e a maioria dos cães rejeitados não estão registados.


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