Três produções próprias e cinco co-produções na nova temporada do Baltazar Dias

Teatro diz adeus à Rede Eunice com mais três espectáculos. Há ainda dança, com a comunidade e com Rui Horta em estreia na sala madeirense, entre as muitas propostas

11 Set 2018 / 12:06 H.

Três produções próprias, cinco co-produções e vários acolhimentos destacam-se na Temporada 2018/2019 do Teatro Municipal Baltazar Dias (TMBD), esta manhã apresentada e que marca também o final da cooperação com a Rede Eunice, que permitiu trazer vários espectáculos do Teatro Nacional D.Maria II à Madeira. Na recta final das celebrações dos 130 anos do TMBD, haverá ainda música, com os concertos a começarem já amanhã.

Foi com um balanço aos últimos três anos de actividade que a directora do Teatro começou a apresentação. 120 mil visitantes, mais de 900 eventos, parcerias com mais de 90 associações e entidades e 20 co-produções destacam-se neste percurso concertado e estratégico da Câmara Municipal do Funchal. Sandra Assunção Nóbrega destacou ainda a criação do ciclo bienal de cinema Virgílio Teixeira, a aposta na cultura acessível, as jornadas do teatro e a formação dos colaboradores, bem como o apoio do executivo ao trabalho ali realizado.

Na temporada artística passada foram 47 mil espectadores, mais quatro mil do que a anterior. “Estamos com uma média de assistência de 55% de sala, a média nacional é 49%”, avançou Paulo Cafôfo. “Há estádios de futebol que não têm este público e esta assistência”, disse o presidente da Câmara Municipal do Funchal depois, durante a intervenção, associando estes números a uma responsabilidade acrescida que exige “fazer mais e fazer melhor”.

Sobre a nova temporada, a directora do Teatro começou pelas cinco co-produções, a primeira delas já a estrear em Setembro, um espectáculo de teatro musical, com direcção de Filipe Luz. Chama-se ‘Fado Tango’ e conta com vários outros artistas madeirenses. O Dançando com a Diferença vai trabalhar durante dois meses de perto com 60 pessoas de bairros sociais para a apresentação de ‘Endless’, um espectáculo com e para a comunidade para ver em Maio, na linha do que é o objectivo de intervenção social. ‘Vala Comum’ junta a Máquina Agradável aos alunos de Teatro do Conservatório, assim como ‘Morrer no Teatro’, estreia nacional da Má-Criação, que vai subir ao palco e igualmente dar formação permitindo outras experiências culturais.

No âmbito da Rede Eunice, que se despede ao concluir três anos de parceria e aprendizagem, o público poderá ver ‘Frei Luís de Sousa’, que estreia em Lisboa em Março, ‘À Espera de Godot’ e ‘Quarto Minguante’. O balanço desta parceria foi “extremamente positivo”, assumiu Sandra Assunção Nóbrega.

A directora diz que o TMBD em 2018/2019 apresenta uma programação de transição em que concretiza um dos seus objectivos primordiais, “tornar-se um pólo de fruição cultural, mas também de criação cultural”. Neste campo, referiu três criações de raiz integradas no programa e que são o primeiro passo para a itinerância. No final da temporada Élvio Camacho vai apresentar um espectáculo a partir de ‘A Pulga Atrás da Orelha’. As outras duas não foram desvendadas, nem tampouco o valor investido na programação de 2018/2019.

Ainda no âmbito do programa do TMBD, Rui Horta vem ao Funchal com o espectáculo a solo ‘Vespa’. Em Outubro, mês para ver ainda Pedro Lamares na leitura integral da ‘Ode Marítima’, de Álvaro de Campos.

Paulo Cafôfo diz que ainda não é possível contabilizar quanto vai custar a nova temporada. O presidente da Câmara Municipal do Funchal esteve presente na apresentação e referiu que o programa apresentado “não é um rol de eventos, mas são eventos alicerçados numa estratégia programática e cultural para a cidade do Funchal”. A estratégia passou por apostar na qualidade, frisou, não apenas nacionais, mas nos talentos da Região. “Temos gente tão talentosa à qual tem de ser dada oportunidade. Compete-nos a nós fazer tudo o que está ao nosso alcance para que isso seja possível e as produções e as co-produções que afora temos é um sinal dessa aposta na cultura e de quem faz a cultura”.

Até Dezembro a Agenda do TBD destaca 41 eventos de natureza diversa. Em Janeiro serão divulgados ainda os concertos com novos valores nacionais que vão passar pelo Funchal.

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