Novo romance de Pérez-Reverte recupera espião Falcó e a sua companheira de missão

28 Ago 2018 / 04:25 H.

O mais recente romance de Arturo Pérez-Reverte, “Eva”, recupera o clima de espionagem e suspense dos anos 1930, para dar continuidade às aventuras do espião Lorenzo Falcó, desta vez centradas na sua companheira de missão.

Com chegada prevista às livrarias portuguesas no dia 11 de setembro, o segundo livro desta série de espionagem, que se iniciou com “Falcó”, foca-se em Eva, uma personagem feminina “muito forte”, como a classifica o próprio autor, que foi companheira de missão de Lorenzo Falcó.

Esta história inicia-se em Portugal, na cidade de Lisboa, e uma vez mais, o autor cruza realidade e ficção, para conseguir dar vida a uma trama com aventuras, crime e paixão, refere a editora ASA, responsável pela edição em Portugal.

Neste romance, que a imprensa internacional considera ter superado o primeiro, vive-se novamente um ambiente de espionagem e suspense, numa aventura protagonizada por Falcó e por Eva, uma enigmática agente soviética que intriga o espião espanhol.

Em 1937, enquanto a Guerra Civil segue o seu trágico caminho, uma nova missão leva Lorenzo Falcó até Tânger, turbulenta encruzilhada de espiões, tráficos ilícitos e conspirações internacionais.

O objetivo de Falcó é conseguir que o capitão de um navio carregado com ouro do Banco de Espanha mude de bandeira, adianta a editora.

“Espiões nacionalistas, republicanos e soviéticos, homens e mulheres defrontam-se numa guerra obscura e suja, à qual acabarão por regressar perigosos fantasmas do passado. Entre eles, Eva. Agente soviética, mulher perigosa, desafio irresistível para Falcó”, acrescenta.

O primeiro livro desta série centra-se em Lorenzo Falcó, um espião e ex-contrabandista de armas sem escrúpulos, que se encontra a mando dos serviços de inteligência franquistas, durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936, com a missão de libertar um detido da prisão.

A experiência do escritor enquanto repórter de guerra, durante duas décadas, dotou-o de uma certa indiferença às causas e ideologias e até à humanidade, que lhe permitiram criar a personagem Falcó, com a qual se identifica.

A ambivalência desta personagem -- entre o mau e o bom -- está igualmente presente na corrente da história, que retrata ações de fascistas, comunistas, socialistas e anarquistas, sem deixar transparecer simpatia por nenhuma das fações.

Eva, que neste primeiro romance teve um papel secundário, ganha agora destaque e passa para primeiro plano, o que o autor justificou -- numa entrevista à Lusa a propósito do primeiro romance -- com a importância que dá à personagem feminina na literatura.

“A mulher é um tema muito interessante, as minhas mulheres são muito poderosas, perigosas, duras, cruéis também, de uma grande força intelectual e de personalidade, mulheres lutadoras, comunistas, franquistas, ativistas, esse tipo de mulher combativa interessa-me muito na vida real e nos romances”, declarou, no ano passado.

Arturo Pérez-Reverte nasceu em Cartagena, Espanha, em 1951. Tem mais de 20 milhões de leitores em todo o mundo e está traduzido em 40 idiomas, tendo algumas das suas obras sido adaptadas ao cinema e à televisão.

Em 2017, o autor foi premiado com o prémio literário Jacques Audiberti. Atualmente, divide a sua vida entre a literatura, o mar e a navegação. É membro da Real Academia Espanhola.

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