João Vaz e Tiago Simas Freire actuam em Itália

O organista director artístico do Festival de Órgão da Madeira e o cornetista tocam no Festival Canne al Vento

17 Mai 2018 / 09:24 H.

O director artístico do Festival de Órgão da Madeira e organista actua amanhã na Igreja de S. José, em Bolzano, no norte de Itália, no âmbito do Festival Canne al Vento. Além de João Vaz actua também neste evento Tiago Simas Freire, em corneta histórica. O festival, que se realiza em Bolzano, na região de Trentino-Alto Ádige, é dirigido pelo organista e cravista Claudio Astronio, e, habitualmente, junta o órgão a outros instrumentos, sobretudo de sopro.

Os dois músicos portugueses apresentam “Fiori di Musica - Cornetto e organo nell’Europa del Cinquecento e Seicento”, concerto que inclui composições de Manuel Rodrigues Coelho (1555-1635), Girolamo Frescobaldi (1583-1646), Bartholomeu Trosilho (1500- 1567), Diogo da Conceição, frade que viveu no século XVII, Thomas Crecquillon (1505-1557), Giovanni dalla Casa, que morreu em Roma em 1601, Dieterich Buxtehude (1637-1707), Andrea Falconiero (1585-1656), entre outros.

O organista João Vaz é professor da Escola Superior de Música de Lisboa e organista titular do órgão de S. Vicente de Fora.

Responsável pela programação de concertos de órgão na Basílica do Palácio-Convento de Mafra e na Igreja de São Vicente de Fora, é também consultor para o restauro do órgão do Mosteiro do Lorvão e foi consultor para o restauro do conjunto de órgãos da Basílica de Mafra.

Tiago Simas Freire e João Vaz encerraram em dezembro do ano passado o ciclo de recitais do órgão histórico de S. Vicente de Fora, em Lisboa.

Tiago Simas Freire, intérprete especializado em corneta histórica, instrumento também designado como “corneto” por apropriação do termo italiano “cornetto”, em declarações à agência Lusa situou o período de ouro da corneta histórica entre 1580 e 1630, “principalmente no Norte de Itália”, todavia “a sua prática desenvolveu-se por toda a Europa e ao longo de mais de dois séculos”.

“Todas as catedrais, capelas de nobres e orquestras de corte teriam que incluir bons cornetistas entre os seus instrumentistas. Na Península Ibérica a corneta aparece nos efetivos das catedrais espanholas desde o início da segunda metade do século XVI, e em Portugal o primeiro registo data de 1593, na Sé de Évora, onde permanecerá em uso pelo menos até 1725”.

Na atualidade, o músico disse que o público em geral “associa facilmente a corneta à ‘Toccata’ que abre [a ópera] ‘Orfeo’, de Monteverdi”.

Referindo-se ao programa, Simas Freire declarou à Lusa que “é constituído como um pequeno panorama em diálogo entre a corneta e o órgão, seu cúmplice inseparável. Ao serviço das diversas instituições eclesiásticas, a corneta seria o ornamento de várias e numerosas canzonas e sinfonias”.

Tiago Simas Freire é doutorado em Música e Musicologia e detentor e Mestre em arquitetura, flauta transversal e corneta.

Na área musical estudou nas escolas superiores de Música do Porto e na de Barcelona, em Espanha, e no Conservatório de Lyon, em França. Como músico, trabalhou com Pierre Hamon, Pedro Memelsdorff, Pedro Sousa Silva e os cornetistas Jean Tubéry, William Dongois e Jean-Pierre Canihac.

Em 2018 foi douturado com a classificação de “excelente”, pela Universidade Jean Monnet, em Saint-Étienne, França.

Simas Freire atua regularmente em concerto a solo ou com agrupamentos, entre eles, a Cappella Mediterranea, Concerto Soave, La Fenice, Capriccio Stravagante ou o Ludovice Ensemble, sendo fundador e diretor artístico da Capella Sanctae Crucis, que tem como objetivo a investigação sobre fontes inéditas de música portuguesa.