Culto mariano e cortejo das açucenas em exposição no Museu Etnográfico da Madeira até Dezembro

21 Set 2018 / 18:05 H.

Natércia Xavier, em representação da secretária regional do Turismo e Cultura, Paula Cabaço, inaugurou, esta tarde, a exposição ‘Do Bom Despacho ao Livramento: a açucena no Culto Mariano’, no Museu Etnográfico da Madeira, na Ribeira Brava.

A festa de Nossa Senhora do Bom Despacho, no Campanário, celebrada no último fim-de-semana de Setembro, e a festa de Nossa Senhora do Livramento, na Ponta do Sol, no segundo fim-de-semana de Outubro, têm como ponto alto, o cortejo das açucenas, uma genuína e ancestral festa da flor, de carácter religioso, que resulta da colheita de uma única espécie botânica – a Amaryllis belladonna –, destinada às ornamentações do andor e da capela.

Ao evocar os vários momentos de preparação destas festas – a colheita das flores, a concentração e convívio dos romeiros até às capelas e a entrega de flores e decorações - esta iniciativa promove as memórias, tradições e costumes que nos caracterizam, enquanto povo, salvaguardando-as e valorizando-as em mais esta mostra temporária que estará patente ao público até ao dia 7 de Dezembro.

Com curadoria de Martinho Mendes, esta exposição cruza, precisamente, a antropologia, a etnobotânica e o olhar artístico contemporâneo, procurando dar a conhecer as especificidades destas celebrações a oeste da ilha, onde é ampla e marcante a utilização das açucenas (Amaryllis beladona), espécie introduzida no século XVII, que as comunidades locais vão colher às serras onde estão intimidade associadas.

O Culto mariano e o cortejo das açucenas

O culto mariano tem uma enorme importância nas igrejas, capelas e ermidas do Arquipélago da Madeira. É padroeira em 50 paróquias e são cerca de 195 os padrões de invocação de Maria nas festividades que ocorrem ao longo do ano.

A devoção à Virgem Maria é vasta e tem as suas origens com o início do povoamento. Ao longo de quase seis séculos, muitos espaços de culto foram construídos em louvor à Mãe de Jesus que conta, hoje, entre nós, com cerca de 77 títulos.

Alguns dos nomes de Maria nasceram de uma alusão directa à sua pessoa e vida terrena, aos lugares das aparições e aos dogmas definidos pela Igreja. Outros títulos, como o de Nossa Senhora do Bom Despacho e de Nossa Senhora do Livramento nasceram das necessidades, aflições e fragilidades humanas, sentidas por quem habita este território insular.

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