Artista Leonel Moura alerta em livro para perigos da “invasão dos robôs”

Lisboa /
24 Out 2016 / 15:12 H.

O artista plástico Leonel Moura alerta, num novo livro, para a “invasão dos robôs”, em curso na vida quotidiana, que provocará alterações radicais nas sociedades das próximas décadas, como o enorme aumento do desemprego.

O livro intitula-se “A invasão dos robôs”, e será lançado a 03 de novembro, pelas 18:30, na livraria da Editora Aletheia, em Lisboa, com a apresentação por Pedro Lima, do Instituto de Sistemas e Robótica e Instituto Superior Técnico.

Contactado pela agência Lusa, o artista plástico, que desde o final dos anos 1990 se dedica à robótica aplicada à arte e ao estudo da inteligência artificial, disse que decidiu publicar o livro para partilhar o conhecimento adquirido nesta área.

“Estamos a ser invadidos por robôs. Cada vez mais autónomos e inteligentes. Essa invasão é impercetível, camuflada na catadupa de inovações tecnológicas que nos chega todos os dias. Torna-se difícil distinguir um novo ‘gadget’ de algo que vai mudar as nossas vidas de forma irremediável”, considera o autor.

Embora aponte aspetos negativos e positivos nesta “invasão” de tecnologias, o artista considera que é decisivo para o nosso futuro perceber o que está a acontecer, “antes que seja tarde demais”.

Um dos aspetos negativos é a previsão do aumento exponencial do desemprego: “Não será mais um desemprego temporário, pontual. Pelo contrário, significará que uma parte muito substancial da população não terá qualquer ocupação durante toda a sua vida”.

Em relação a esse panorama, “é preciso repensar o conceito de trabalho, a forma como se garante a sobrevivência das pessoas, e o que elas podem fazer”.

Para Leonel Moura, a robótica aliada à inteligência artificial “tem já hoje um enorme impacto social, económico e civilizacional e terá ainda mais no futuro”.

“As consequências são imprevisíveis. Positivas mas também negativas. Estamos a entrar num terreno francamente imprevisível. E no entanto não há consciência do problema. A política não tem hoje capacidade de pensar o futuro”, lamentou, nas declarações à Lusa.

No entanto, o artista é fascinado pelos robôs - já criou robôs que pintam e criam poesia -- e considera-os “um novo tipo de criatura que acaba com a nossa solidão no universo”.

Um dos robôs criados por Leonel Moura foi colocado em 2007 na Sala da Humanidade do Museu de História Natural de Nova Iorque, nos Estados Unidos, para desenhar perante os visitantes.

“Acima de tudo, vão obrigar-nos a acelerar a nossa própria evolução para lá do lento passo de Darwin”, considera, esperando que a humanidade venha a dedicar-se a “algo que os robôs não consigam fazer, para que continuem a precisar de nós e não nos exterminem”.

Entre outras obras, Leonel Moura publicou, em 2013, “Robot Art”, com o essencial da sua obra com robôs aplicados à arte, e este ano “Robots and Art”, editado pela Springer, com textos de artistas de referência nesta área.

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