Arquivo Sonoro Nacional é “essencial”

09 Fev 2018 / 02:36 H.

A etnomusicóloga Salwa Castelo-Branco, ex-vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa, qualificou de “essencial” a criação de um Arquivo Sonoro Nacional (ASN), para o qual Portugal tem “especialistas com experiência no trabalho técnico, de curadoria e de investigação”.

A investigadora, que fundou o Instituto de Etnomusicologia - Centro de Estudos em Música e Dança, faz parte de uma comissão conjunta para criação do ASN, que inclui os secretários de Estado da Ciência e Tecnologia, e o da Cultura, a par de outros investigadores como Pedro Félix, também da Universidade Nova de Lisboa.

Esta comissão inclui ainda o músico e compositor Miguel Azguime, o investigador Paulo Ferreira de Castro e o reitor da Universidade de Aveiro, Manuel António Assunção.

Salwa Castelo-Branco, em declarações à agência Lusa, afirmou que “a criação de uma infraestrutura, como o Arquivo Sonoro Nacional, é fundamental, e, em Portugal, já temos especialistas com experiência no trabalho técnico, de curadoria e de investigação, três componentes que são fundamentais”.

Já em novembro último, falando à Lusa, a ex-coordenadora do Departamento de Ciências Musicais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, lamentou que tivesse ficado em espera o projeto do arquivo sonoro, previsto desde 2006, por ser “uma infraestrutura que permitiria as condições tecnológicas para preservar e disponibilizar ‘online’ e presencialmente o património fonográfico de Portugal, e até, eventualmente lusófono”.

A investigadora, que preside o Conselho Internacional da Música Tradicional, órgão consultivo da UNESCO, que dirigiu a edição da “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”, qualificou como “muito preocupante” ter ficado em suspenso este arquivo, depois de ter sido feito “muito trabalho” pelo Instituto de Etnomusicologia, em colaboração com o Museu do Fado, na digitalização e disponibilização do espólio que foi adquirido por Portugal ao colecionador inglês Bruce Bastin.

A diretora do Museu do Fado, em Lisboa, Sara Pereira, por seu lado, recordou à Lusa que o processo de digitalização das cerca de 3.000 gravações de fados da primeira metade do século XX, da coleção Bastin, se iniciou em junho de 2016.

Sara Pereira afirmou que os discos da coleção adquirida a Bruce Bastin se encontram “devidamente acondicionados” em depósito no Museu do Fado.

O Museu do Fado tem procedido à digitalização e restauro do acervo discográfico na sua posse, “promovendo a publicação ‘on-line’ do Arquivo Sonoro Digital, um dos compromissos estratégicos do Plano de Salvaguarda da Candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade”.

Segundo a responsável “trata-se de um importantíssimo repositório de fonogramas históricos, desde o início do século XX, facultando o acesso gratuito e integral a vários milhares de gravações históricas, num projeto de continuidade, da parceria desenvolvida entre o Museu do Fado e o Instituto de Etnomusicologia da Universidade Nova de Lisboa.

Esta parceria científica contempla a “digitalização de diferentes tipos de suporte”, como “discos de goma-laca a 78 rotações, discos de vinil (a 33 e 45 rotações), discos instantâneos (de acetato), discos não tipificados (a diferentes velocidades e de diferentes dimensões), suportes digitais, fita magnética, cassetes, entre outros”.

Prevê ainda o “estudo do som gravado e a investigação permanente em tecnologia e procedimentos no quadro da arquivística do som (metadata, processamento digital, transferência de suportes, migração, restauro, bases de dados)”.

Um terceiro ponto desta parceria de investigação é a “edição de fonogramas com repertório histórico devidamente restaurados e masterizados”.

Em julho de 2016, etnomusicólogos, especialistas e responsáveis de arquivos de vários países de expressão portuguesa enfatizaram, num colóquio realizado em Aveiro, a importância de criar um arquivo sonoro lusófono.

Neste encontro científico estiveram presentes o diretor do Museu Nacional de Etnologia, Paulo Ferreira Costa, e Eduardo Leite, responsável pelo arquivo sonoro da RTP.

Em Lisboa, o Museu de Etnologia tem no seu espólio fonogramas de música tradicional, e o Museu Nacional do Teatro tem também um acervo sonoro.

O grupo RTP anunciou, em outubro de 2007, que estava a preparar um projeto que ia permitir o acesso livre dos cidadãos a parte do arquivo sonoro da RDP, com quase um século de história.

O projeto, intitulado Arquivo Criativo, apostava na colocação de uma amostra das mais de cem mil horas de fonogramas do espólio da RDP numa plataforma ‘on-line’, onde os utilizadores podem ter acesso direto e gratuito.

O depósito legal de fonogramas, por força do decreto-lei n.º 74/82, é assegurado pela Biblioteca Nacional de Portugal.

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